Médio Oriente: Bispos da UE exigem que Europa assuma «responsabilidade histórica» pela paz
A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) instou os Estados-membros a assumirem a sua responsabilidade histórica na promoção da estabilidade no Médio Oriente.

“A União Europeia, nascida como um projeto de paz, tem a responsabilidade particular de agir como uma força credível em prol da paz e como promotora ativa da estabilidade e do diálogo em toda a região do Médio Oriente”, refere o comunicado final da Assembleia Plenária de primeira que reuniu os bispos delegados da COMECE na capital do Chipre.
O texto aponta às crises internacionais em curso, com destaque para a Terra Santa, o Líbano, o Irão, a Ucrânia e o Sudão.
“Estamos profundamente entristecidos por estas tragédias que resultam na perda de inúmeras vidas humanas, na destruição generalizada e em crises humanitárias que afetam tantas famílias”, indicam os bispos católicos.
A declaração episcopal manifesta solidariedade para com o Papa Leão XIV, reforçando o pedido pontifício pelo fim imediato dos conflitos armados e pela prioridade do diálogo internacional.
«Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!»”.
O episcopado da União Europeia sublinha a necessidade de proteger o direito internacional e de garantir o respeito pelas vozes das diversas comunidades religiosas nas iniciativas de consolidação da paz.
“Neste espírito, exortamos a UE e os seus Estados-Membros a continuarem a agir de forma unida e com determinação: intensificando o seu empenho diplomático, político e humanitário para proteger a dignidade humana, defender o direito internacional e apoiar iniciativas inclusivas de consolidação da paz”, apontam os bispos.
O documento assinala as consequências diretas da instabilidade global nas sociedades europeias, instando os governos a adotarem medidas solidárias para garantir a coesão social face ao aumento do custo de vida.
“A União é chamada a exercer solidariedade para com os Estados-Membros afetados pela instabilidade regional e a responder adequadamente às repercussões destes conflitos nas sociedades europeias”, pode ler-se.
O encontro decorreu em Nicósia entre os dias 22 e 24 de abril, inserindo-se no contexto da presidência cipriota do Conselho da União Europeia.
D. Nuno Brás, vice-presidente da COMECE, é o delegado da Conferência Episcopal Portuguesa no organismo.
Fonte: Ecclesia | Foto: Flickr