Vimioso: A “liberdade” de viver no interior está em risco

Na vila de Vimioso, a comemoração do 25 de abril teve como destaque a sessão solene que decorreu no salão nobre da Câmara Municipal, onde o presidente da Assembleia Municipal, Sérgio Pires e os deputados municipais, Jorge Santos (PSD) e Marina Vaz (PS), foram unânimes em afirmar que a “liberdade” de viver no interior está em risco e exigem-se novas políticas para fixar as pessoas.

Em Vimioso, a comemoração do 52º aniversário da revolução dos cravos, iniciou-se na praça Eduardo Coelho, em frente à Câmara Municipal, com a cerimónia do hastear da bandeira nacional e a entoação do hino acompanhados pela Banda Filarmónica da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vimioso (A.H.B.V.V.).

Com é tradição na comemoração do 25 de abril, o presidente da Assembleia Municial, Sérgio Pires e o presidente da Câmara Municipal, António Santos. colocaram uma coroa de flores no memorial aos Antigos Combatentes.

A sessão solene teve lugar no salão nobre do Município, onde foram proferidos os discursos alusivos à importância histórica da revolução militar e política do 25 de abril de 1974.

No seu discurso, o presidente da Assembleia Municipal de Vimioso, Sérgio Pires, referiu que “comemorar a Revolução dos Cravos” é um dever de memória e uma obrigação de agradecer a todos quantos trouxeram “a liberdade, a igualdade, a fraternidade e a democracia”.

“Foi a democracia que nos trouxe o Poder Local Democrático. Foram as autarquias, as Assembleias e Câmaras Municipais, Assembleias e Juntas de Freguesias que investiram na criação de infraestruturas essenciais e possibilitaram melhores condições de vida no nosso concelho”, sublinhou Sérgio Pires.

O presidente da Assembleia Municipal lembrou ainda que no corrente ano se celebram os 40 anos de adesão de Portugal à União Europeia (UE).

“A par da revolução do 25 de abril, a integração europeia consumada em 1986 foi outro marco de suma importância para o fim do isolamento do nosso país, em particular para os territórios do interior, como o concelho de Vimioso. Os fundos comunitários foram o motor que acelerou o desenvolvimento local, com a construção de infraestruturas, a requalificação do património e dinamização das atividades económicas, como a agricultura, a pecuária ou o turismo”, salientou.

Do lado dos deputados municipais, Jorge Santos, do grupo municipal do PSD, corroborou da mesma opinião e no seu discurso afirmou que celebrar o 25 de abril não pode ser apenas um exercício de memória, deve ser também uma responsabilidade.

“O poder local foi sem dúvida, uma das maiores conquistas do 25 de abril de 1974. As autarquias, pela sua proximidade às populações, foram o rosto mais vísível do progresso: levaram água, luz, estradas, escolas e equipamentos. Deram dignidade aos territórios”, disse.

Contudo, o deputado social-democrata alertou que passados 52 anos, os territórios do interior como o concelho de Vimioso continuam a precisar de evolução.

“A realidade não é estática, muda, evolui e exige novas respostas. O país mudou e o interior, como o nosso concelho de Vimioso, também. Continuamos a perder população, serviços e por isso, exigem-se novas respostas. Ouvir ideias diferentes não é um problema, é sim um privilégio da democracia. E a democracia constrói-se diariamente, com diálogo, respeito e capacidade de fazer melhor no poder local”, disse.

O partido socialista (PS) confiou à jovem deputada municipal, Marina Vaz, a responsabilidade de discursar na sessão solene do 52º aniversário da revolução de abril.

“Eu sou neta de abril, não estive lá, mas sei exatamente o que está em causa. Aprendi com os meus pais, tios e alguns professores o que significava a liberdade. Disseram-me que a revolução do 25 de abril de 1974 transformou a resignação em esperança, a repressão em liberdade, a guerra em paz”, começou por dizer a jovem deputada municipal.

Mariana Vaz prosseguiu dizendo que a liberdade é a conquista mais importante, no entanto alertou que este valor é frágil e tem que ser defendido constantemente.

“A liberdade também se mede na capacidade de escolher viver na nossa tera, no concelho de Vimioso, mas atualmente esta escolha está cada vez mais condicionada. O despovoamento continua. Por isso, precisamos de políticas que fixem as pessoas, que atraiam investimento, que valorizem o que é nosso: da agricultura ao turismo, da identidade cultural ao potencial humano”, indicou.

Após a sessão solene, realizou-se no salão nobre da Câmara Municipal de Vimioso, a sessão ordinária da Assembleia Municipal.

Em Vimioso, o programa da comemorativo do 25 de abril prosseguiu durante a tarde, no Parque Ibérico de Natureza e Aventura (PINTA), com uma audição da Escola de Música da A.H.B.V.V. e uma merenda convívio.

HA

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