Angola: Papa denuncia «chaga da corrupção» e pede superação das divisões da guerra civil

Na sua visita a Angola, o Papa Leão XIV defendeu em Luanda a superação definitiva das divisões e a cura da “chaga da corrupção” no país, através de uma nova cultura de justiça e partilha.

“Podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”, disse Leão XIV na homilia da Missa a que presidiu na esplanada do Kilamba, arredores da capital angolana.

O pontífice foi acolhido por uma multidão em festa, que as autoridades locais, percorrendo o espaço em veículo aberto.

A homilia, no terceiro domingo do tempo da Páscoa, estabeleceu um paralelo entre o desânimo dos discípulos de Emaús e a história recente do de Angola, “país belíssimo e ferido, que tem fome e sede de esperança, de paz e de fraternidade”.

A conversa dos dois discípulos, que recordam com desânimo o que aconteceu ao seu Mestre, traz à memória a dor que marcou o vosso país: uma longa guerra civil com o seu rasto de inimizades e divisões, de recursos desperdiçados e de pobreza”.

Leão XIV dirigiu-se especificamente aos jovens angolanos, desafiando-os a serem protagonistas de uma transformação social baseada na compaixão.

“Jesus Ressuscitado, que percorre o caminho convosco e por vós se parte como pão, encoraja-vos a ser testemunhas da sua ressurreição e protagonistas de uma nova humanidade e de uma nova sociedade”, declarou.

A intervenção deixou um aviso sobre a necessidade de separar a fé católica de elementos específicos da religiosidade local.

“É necessário estar sempre atentos às formas de religiosidade tradicional, que certamente pertencem às raízes da vossa cultura, mas que, ao mesmo tempo, correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual”, precisou o pontífice.

Muitas pessoas pernoitaram no local, para poderem aceder aos locais mais próximos do altar, sendo acompanhadas pelo dispositivo de segurança implementado pelas autoridades angolanas.

A Igreja Católica no país lusófono organizou a presença de delegações de todas as dioceses e das várias comunidades religiosas presentes em Angola, que o Papa desafiou a “construir espaços de fraternidade e paz”, com “gestos de compaixão e solidariedade”.

“A história do vosso país, as consequências ainda difíceis que suportais, os problemas sociais e económicos e as diversas formas de pobreza exigem a presença de uma Igreja que saiba estar próxima no caminho e saiba ouvir o clamor dos seus filhos”, disse-lhes o Papa.

A Boa Nova do Senhor, hoje também para nós, é precisamente esta: Ele está vivo, ressuscitou e caminha ao nosso lado enquanto percorremos o caminho do sofrimento e da amargura, abrindo-nos os olhos para que possamos reconhecer a sua obra e concedendo-nos a graça de recomeçar e reconstruir o futuro.”

No final da Missa, o arcebispo de Luanda agradeceu a presença do Papa, classificando o dia como um momento de “encanto jubiloso”.

“Obrigado por nos recordardes que devemos ser um povo unido no bem, na verdade e na justiça; povo de irmãos de mãos dadas comprometido com a felicidade, e o bem-estar do outro”, disse D. Filomeno Vieira Dias.

A agenda papal prossegue esta tarde, com a recitação do terço no Santuário da Muxima, após uma deslocação em helicóptero, ao longo de mais de 100 quilómetros.

Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de São Paulo II ter realizado uma visita apostólica ao país, que incluiu uma passagem por São Tomé e Príncipe, entre os dias 4 e 10 de junho de 1992; e depois Bento XVI, de 20 a 23 de março de 2009.

Esta é a terceira etapa da maior viagem internacional do atual pontificado, que se iniciou segunda-feira na Argélia e prosseguiu, desde quarta-feira, nos Camarões.

A deslocação conclui-se a 23 de abril, na Guiné Equatorial.

Fonte: Ecclesia

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