Miranda do Douro: A pastorícia fixa populações e reduz o risco de incêndios florestais

A 10 de abril, a cidade de Miranda do Douro reuniu criadores pecuários, técnicos e várias entidades para debater o contributo da pastorícia, uma atividade agropecuária, que é considerada fundamental na gestão ambiental, na fixação e na subsistência das populações rurais.

O colóquio dedicado à pastorícia foi organizado pela Associação de Criadores de Ovinos Mirandeses (ACOM) e de acordo com a secretária-técnica, Andrea Cortinhas, a iniciativa surgiu a propósito do XXIX Concurso Nacional de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa.

“2026 é o ano das pastagens e dos pastores e decidimos aproveitar a realização do concurso anual de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa para debater e refletir sobre o estado do setor agropecuário em Miranda do Douro. Dado o envelhecimento da população e a dificuldade em rejuvenescer o setor, continuamos a enfrentar sérias dificuldades em conservar esta raça autóctone dos ovinos mirandeses”, disse a dirigente associativa.

O anfitrião do encontro, o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, felicitou a Associação de Criadores de Ovinos Mirandeses (ACOM) pela organização do colóquio dedicado à pastorícia.

“Perante o declínio do número de animais ruminantes e o abandono dos campos, este colóquio permitiu-nos debater o problema e definir estratégias para inverter esta realidade. Saúdo, por isso, o apoio financeiro significativo do governo à instalação de novos criadores pecuários”, disse o autarca mirandês.

O encontro em Miranda do Douro contou com a participação do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que na sua intervenção alertou para a redução em Portugal, do número de animais ruminantes e de pastores.

“Desde 1989 houve uma diminuição de 40% de animais ruminantes, em Portugal, e porconseguinte também houve uma redução no número de pastores”, indicou o governante.

Para contrariar esta tendência, o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, referiu-se à recente medida de apoio à instalação de novos produtores pecuários, com a atribuição de 30 mil euros.

“O apoio assume a forma de subvenção não reembolsável atribuída por cinco anos. O montante do apoio corresponde a um prémio à instalação no valor global de 30 mil euros. Nos primeiros três anos, o apoio é de 8.400 euros, passando a 2.400 euros anuais nos restantes dois anos”, especificou.

Já o programa de apoio à redução de carga combustível através do pastoreio, conta com 15 milhões de euros por ano, com a atribuição de 150 euros por vaca em aleitamento e 30 euros por ovelha ou cabra.

Em Miranda do Douro, a diretora geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Susana Pombo, enalteceu o trabalho dos pastores na gestão e conservação da natureza.

“A pastorícia tem uma importância fundamental já que apoia a fixação e a subsistência das populações, contribui para a fertilização dos solos e reduz o risco de incêndios”, salientou.

No colóquio realizado em Miranda do Douro, foram ainda identificados outros problemas na atividade agropecuária, como o envelhecimento da população rural, o abandono da atividade agrícola e o risco de erosão genética das raças autóctones.

“As raças autóctones de pequenos ruminantes são essenciais para a sustentabilidade ambiental e sócio-económica dos territórios rurais”, conclui-se.

HA





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