Opinião: Dar sem esperar – o verdadeiro valor do voluntariado
O voluntariado, à luz da fé cristã, assume um significado profundo e transformador, sobretudo quando direcionado aos mais vulneráveis da sociedade. Mais do que um simples ato de solidariedade, é uma verdadeira expressão do amor ao próximo, um dos pilares centrais do cristianismo.

No ensinamento de Jesus Cristo, encontramos um apelo claro à ação: cuidar dos pobres, visitar os doentes e não esquecer aqueles que vivem privados de liberdade. O voluntariado torna-se, assim, uma forma concreta de viver a fé, traduzindo em gestos reais valores como a caridade, a compaixão e a justiça.
A minha experiência como voluntária na pastoral penitenciária tornou este ensinamento ainda mais real e profundo. Ao longo desse percurso, vivi momentos intensos e enriquecedores, participando em atividades e, sobretudo, visitando aqueles que se encontram privados de liberdade. Essas visitas não são apenas encontros — são verdadeiros momentos de humanidade, onde o olhar, a escuta e a presença ganham um valor imenso.
Aprendi, com o saudoso Padre João Gonçalves, mais conhecido pelo Padre das Prisões (que já partiu para casa do PAI) uma frase que marcou profundamente a minha forma de viver o voluntariado: “vou visitar Jesus Cristo que está preso no preso; é esse quem eu vou visitar”.
Esta perspetiva transforma completamente o sentido da ação. Deixa de ser apenas um gesto de ajuda e passa a ser um encontro espiritual, onde cada pessoa visitada é reconhecida na sua dignidade e humanidade. Os grupos mais vulneráveis — como os reclusos, muitas vezes esquecidos e marginalizados pela sociedade — precisam não só de apoio material, mas também de presença, escuta e esperança.
O voluntariado junto destes contextos é exigente, mas profundamente necessário. É aí que a fé se torna viva, concreta e desafiadora. Além disso, esta experiência mostrou-me que o voluntariado não transforma apenas quem recebe, mas também quem dá. Cada visita, cada conversa e cada gesto deixam marcas profundas, ensinando-nos a olhar o outro sem julgamentos, com compaixão e respeito. É um caminho de crescimento humano e espiritual.
O voluntariado cristão encontra o seu sentido mais pleno quando se dirige aos mais vulneráveis, especialmente àqueles que a sociedade tende a esquecer. Através da minha vivência na pastoral penitenciária, compreendi que servir é, acima de tudo, reconhecer Cristo no outro. E é nesse encontro que o voluntariado ganha o seu verdadeiro significado: amar em ação.
Fonte: Ecclesia | Sandra Marisa Rodrigues, Diocese de Bragança-Miranda