Domingo de Ramos na Paixão do Senhor – Ano A
É morrendo para o mundo que se vence o mundo
Is 50, 4-7 / Slm 21 (22), 8-9.17-18a. 19-20.23-24 / Filip 2, 6-11 / Mt 26, 14 – 27, 66 ou Mt 27, 11-54

A leitura do Evangelho hoje é a Ceia Pascal e a Paixão de Jesus em São Mateus. Daqui a cinco dias, na celebração da Sexta-feira Santa, escutar-se-á a Paixão de Jesus em São João. São dois momentos litúrgicos, perto um do outro, em que se é convidado a acompanhar os passos de Jesus neste momento difícil da sua vida. Isto significa que o tempo em que estamos – a Semana Santa – deve ser menos de palavras e mais de silêncio.
Houve um tempo para escutar Jesus de modo a aprender d’Ele e ganhar um maior conhecimento a seu respeito. Agora, é o tempo de estar silenciosamente com Jesus, contemplando as diversas cenas por que passa. É o tempo de examinar a situação em que Ele se encontra e permitirmos que isso nos afete. É sabido que a narração da Paixão é longa e apresenta os sucessivos cenários de forma bastante gráfica. Impressiona a concentração de atitudes e sentimentos humanos: a traição e o remorso de Judas, a cobardia e o choro de Pedro, a fúria coletiva da multidão, o ar admirado de Pilatos, o escárnio dos soldados, o insulto e a troça dos que passam diante da cruz.
Impressiona particularmente o que vai na alma de Jesus. No monte das Oliveiras: «A minha alma está numa tristeza de morte». Na cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?». Impressiona ver como a divindade se esconde. Impressiona ver como Jesus sofre às mãos das trapalhices dos que o circundam: ou melhor, das trapalhices de todos nós, da humanidade inteira.
Impressiona, apesar de tudo, a firmeza de Jesus. Aplicou a si o que dizia o profeta Isaías: «apresentei as costas… e a face», «não desviei o meu rosto». Certamente é uma firmeza imbuída de grande fé: «sei que não ficarei desiludido» (Isaías). É a firmeza de fé que, no dizer de São Paulo (Carta aos Filipenses), chega a ser correspondida por Deus: Jesus «humilhou-se… obedecendo até à morte e morte de cruz»; «por isso, Deus o exaltou… para que… toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor».