Águas Vivas: Confecção dos roscos para a festa de Nossa Senhora das Candeias
A população da aldeia de Águas Vivas, no concelho de Miranda do Douro, inicia a 10 de fevereiro, a confeção dos roscos para ornamentar os ramos, uma tradição da festa em honra de Nossa Senhora das Candeias, que se celebra no sábado, dia 14 de fevereiro, com a missa solene seguida da procissão.

Em Águas Vivas, os preparativos para a festa começaram no passado dia 31 de janeiro, com a apanha das xaras (estevas), que são utilizadas para acender e aquecer os fornos da aldeia.
De 10 a 12 de fevereiro, a comunidade de Águas Vivas dedica-se à confecção dos roscos, os biscoitos tradicionais muito apreciados pelo público e que são um dos destaques desta festividade de inverno.
Depois das tarefas de amassar e cozer os roscos, na quinta-feira, dia 12 de fevereiro, realiza-se a montagem dos ramos (pequenos andores de madeira) ornamentados com os roscos, para o leilão que se realiza após a missa solene.
A festa propriamente dita começa na sexta-feira, 13 de fevereiro, com um arraial musical e o tradicional convívio dos “Perneiros”, os mordomos que vão transportar o andor de Nossa Senhora das Candeias.
No sábado, 14 de fevereiro, a festa em honra de Nossa Senhora das Candeias tem como principais momentos a celebração da missa solene, seguida da procissão e ao serão, o arraial, que este ano tem como destaque o concerto de “Cláudia Martins & Minhotos Marotos”.
Em Águas Vivas, a tradição da confecção dos roscos e a ornamentação dos ramos, na festa em honra de Nossa Senhora da Candeias está representada num monumento em granito, na principal rua da localidade.
Na Terra de Miranda, o ritual de oferenda dos roscos (tradicionalmente feitos com farinha, ovos, açúcar e aguardente ou aniz) existe em várias localidades e a sua origem está relacionada com o ciclo agrícola.
“Os roscos são ofertas a Deus, sendo mesmo benzidos pelos sacerdotes no decorrer da eucaristia. Os roscos são feitos com farinha de trigo e por isso simbolizam o pão, considerado um alimento essencial e garante da sobrevivência. As comunidades ao ornamentarem o andor com os roscos ou o pão, estão a agradecer a Deus pela colheita e a pedir a sua intercessão para o novo ano agrícola, que vai começar com a chegada da primavera”, explicou o etnógrafo, Mário Correia.
HA
