Agricultura: Jovens agricultores alertam para definhar do setor

A Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) pediu no parlamento, em Lisboa, a operacionalização do Estatuto do Jovem Empresário Rural (JER) e alertou para o definhar do setor agrícola.

“Precisamos de operacionalizar a figura do Jovem Empresário Rural, numa lógica de interação entre várias instituições”, afirmou o diretor-geral da AJAP, Firmino Cordeiro, numa audiência na comissão parlamentar na Comissão de Agricultura.

O Jovem Empresário Rural (JER) foi criado, por decreto-lei, em janeiro de 2019, para potenciar o empreendedorismo e fixar jovens em zonas rurais.

O diretor-geral da AJAP referiu que a instalação de jovens tem sido cada vez menor, uma vez que a atividade deixou de ser viável.

Neste sentido, considerou ser importante conjugar a agricultura com outras atividades, criando um ecossistema de inovação que combata o definhar do setor.

O secretário-geral da Inovterra, Bruno Cardoso, defendeu, por sua vez, que as aldeias já não conseguem viver apenas da agricultura e do turismo.

Devem assim poder emergir atividades complementares, através da operacionalização do Estatuto, que permitam aos jovens fixar-se nos territórios, contribuindo para o tecido empresarial e para o combate a desertificação.

“A atividade agrícola, sobretudo no Norte, é de pequena propriedade e os custos sentidos nos últimos anos fizeram com que a atividade deixasse de ser rentável e começasse a haver um abandono significativo deste território”, apontou.

Assim, insistiu ser preciso “um casamento de atividades” para que elas possam ser lucrativas.

A Inovterra, associação para o desenvolvimento local, disse ainda que muitos emigrantes querem regressar ao território rural português, mas precisam de uma “razão forte” para que tal aconteça.

Na mesma audiência conjunta, o presidente da Rural Move, João Almeida, apelou à criação de condições para que os jovens escolham o mundo rural.

Depois, conforme acrescentou, é preciso avançar com uma requalificação de competências e capacitação em áreas como liderança e empreendedorismo. Seguem-se então as ajudas para que estes jovens possam começar a sua atividade.

“Muitas vezes, as dificuldades não são no acesso ao funcionamento, mas a carga burocrática e a fragmentação institucional”, ilustrou, pedindo a criação de um Simplex Rural e o recurso à consultoria e mentoria.

“O mundo rural, os jovens e a comunidade não precisam de pena, mas de movimento e ação”, disse o presidente desta associação, que tem sede em Miranda do Douro, e que se destina a promover o investimento em territórios de baixa densidade.

Fonte: Lusa | Imagens: AJAP

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