Sendim: Cooperativa Ribadouro à venda

A cooperativa agrícola Ribadouro, em Sendim, realizou a 12 de janeiro, uma assembleia geral extraordinária, durante a qual informou os associados da execução da dívida de 500 mil euros, por parte da Caixa de Crédito Agrícola, o que implica a venda do edifício, uma situação que até poderá atrair investidores privados, para modernizar o equipamento e assegurar a continuidade da atividade vitivinícola na região.

A assembleia geral extraordinária decorreu no pavilhão multiusos, em Sendim e teve como ordem de trabalhos informar sobre a atual situação financeira da cooperativa e auscultar os associados sobre a possibilidade de alienar duas propriedades (uma vinha e um terreno) desta coletividade.

Em representação da direção, o vice-presidente da cooperativa Agrícola Ribadouro, André Xavier, indicou que a dívida total é superior a 700 mil euros: 500 mil ao grupo Crédito Agrícola, 200 mil ao Millenium BCP, cerca de 30 mil euros a fornecedores e ainda há pagamentos em atraso aos vitivinicultores, relativos a entrega de uvas, nas campanhas de 2023 e 2022.

“Dada a incapacidade de saldar a dívida de 500 mil euros à Caixa de Crédito Agrícola, o edifício da cooperativa que já estava hipotecado vai agora ser posto à venda. A Caixa Agrícola entregou a execução da dívida a um agente para vender o imóvel, localizado na Estrada Nacional nº 221. A entrega de propostas para a compra do imóvel é feita por carta fechada, sendo que o valor mínimo definido pelo grupo bancário para a aquisição do imóvel é de 595 mil euros”, indicou o dirigente associativo.

Tendo em conta a difícil situação financeira da cooperativa, para o vice-presidente da Ribadouro, André Xavier, a venda a um privado poderia ser a melhor solução para a sobrevivência da atividade vitivinícola em Sendim.

“O ideal seria que surgisse um comprador honesto, ligado ao setor do vinho, com poder financeiro de modernizar as instalações da Ribadouro e que continue a receber e transformar as colheitas de uvas dos vitivinicultores da região. Temos aqui ao lado, em Bemposta, o exemplo da empresa Sogrape, que realiza um bom trabalho neste setor”, disse.

Questionado se a Sogrape poderia ser um possível interessado na compra do imóvel da cooperativa Ribadouro, em Sendim, André Xavier, mostrou-se agradado com essa hipótese e adiantou que caso isso aconteça, a empresa adquiriria o monopólio na compra de uvas no planalto mirandês.

Outro assunto abordado na assembleia geral extraordinária foi a alienação e venda de dois terrenos pertencentes à cooperativa Agrícola Ribadouro.

“A alienação das duas propriedades, uma vinha em Sendim e um terreno na gare do Urrós, vai realizar-se por leilão, no prazo de um mês, tendo como destinatários os associados da cooperativa Ribadouro”, informou.

No final da assembleia geral, os associados da Cooperativa Agrícola Ribadouro, mostraram-se resignados com a venda do edifício, mas ao mesmo tempo esperançados de que surja um investidor, que assegure a continuidade da vitivinicultura, em Sendim.

O associado, Óscar Salgado, por exemplo, vitivinicultor de Sendim, apesar de mostrar uma grande afeição pela cooperativa Ribadouro, onde a sua família entregou anualmente as colheitas de uvas, afirmou que a venda talvez seja a melhor solução.

“Dada a avultada dívida e a incapacidade de inverter esta situação, creio que a venda é inevitável. Deus queira que uma empresa como a Sogrape tenha interesse na Ribadouro, de modo a dar continuidade à cultura da vinha e à produção de vinho, nesta nossa região”, disse o vitivinicultor sendinês.

Na vila de Sendim, a Adega Cooperativa Ribadouro foi constituída em 1959. Segundo dados da Ribadouro, a cooperativa chegou a ter registados 2600 associados, sendo que atualmente estão ativos cerca de 700 vitivinicultores, dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso.

A cooperativa Agrícola Ribadouro produz os vinhos “Ribeira do Corso”, “Lhéngua Mirandesa”, “Mirandum” e “Pauliteiros”.

HA

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