Miranda do Douro: Famidouro precisa de uma reinvenção
Em Miranda do Douro, a Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades, que decorreu de 15 a 24 de agosto, mostrou que o certame continua a despertar o interesse do público, mas segundo a organização e os artesãos há a necessidade de uma reinvenção para oferecer novos artigos ao público e para que o espaço tenha melhores condições.
A artesã, Sofia Ortega, foi uma das participantes na XXVII Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades, que decorreu na Avenida Aranda del Duero, na cidade de Miranda do Douro. Questionado sobre o atual momento do artesanato, a autora da marca de lembranças, em língua mirandesa, “Pitica de Dius” referiu que também esta atividade precisa adaptar-se aos gostos e interesses do público.
“A atividade do artesanato requer uma permanente atualização e reinvenção de novas peças que aumentem a variedade e despertem o interesse de mais público. É importante fazer coisas novas. No caso da marca ‘Pitica de Dius’ as mais recentes novidades são os porta-chaves alusivos às aldeias onde ainda se fala mirandês, nos concelhos de Miranda do Douro e Vimioso”, disse.
Para além dos porta-chaves, a artesã, Sofia Ortega, também faz t-shirts, bonés, sacolas, jogos didáticos e vários outros artigos, com palavras, ditos e provérbios em língua mirandesa.
Por sua vez, o artesão de madeira, Sérgio Pires, que trabalha madeiras do planalto mirandês como a azinheira, nogueira, freixo, amendoeira, oliveira e outras, produz peças como mesas, cadeiras, tábuas de mesa, tábuas de cozinha, talhos ou mochos, espelhos, relógios entre outras peças e móveis.
“A Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades tem vindo a perder protagonismo e há uma redução do número de artesãos nos últimos anos. Nesta feira, o público que nos visita, emigrantes e espanhóis, procuram peças de artesanato mais utilitárias, como tábuas de cozinha e os talhos”, disse.

Na opinião do artesão da Madeir’artes, Sérgio Pires, a criação de melhores condições físicas da Famidouro, como a criação de sombras na avenida, stands mais frescos e cómodos, vaporização de água do espaço nos dias de maior calor e o corte do trânsito automóvel na avenida, a partir das 17h30 poderiam beneficiar o certame.
O dirigente da Associação Comercial e Industrial de Miranda do Douro (ACIMD), Emanuel Soares e também empresário no setor da restauração, reconheceu que o certame precisa de reinventar-se para acompanhar as atuais preferências dos público.
“No mês de agosto, a Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades tem muito potencial para continuar a ser uma atração da cidade de Miranda do Douro. No entanto, constatamos que o certame, de ano para ano, não pode ser uma mera repetição. Há que trazer novidades à feira, seja na organização, seja os artesãos e outros expositores, pois têm a responsabilidade de apresentar novos artigos e produtos que despertem o interesse do público”, disse.

O dirigente da ACIMD indicou ainda que o orçamento para a organização da Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades é de cerca de 37 mil euros, sendo que 25 mil euros são um apoio do município de Miranda do Douro.
“Este orçamento é escasso para fazer face às despesas do aluguer e montagem dos stands, eletricidade, som, animação cultural, musical e os concertos. Por isso, no próximo ano vamos solicitar ao município um maior apoio financeiro, de modo a entregar a organização do certame a uma empresa. Outra medida que estamos a ponderar é oferecer o stand a quem tiver carta de artesão”, adiantou.
Outra das pretensões da ACIMD é estender o certame até ao Jardim dos Frades Trinos, convidando o comércio local e os restaurantes e bares a aderirem à iniciativa.
“A ideia é trazer a restauração e as bebidas para as esplanadas das ruas da zona histórica e alargar a abertura do comércio até às 24h00 pois nos dias de maior calor é à noite que os visitantes passeiam pela cidade”, indicou.
A Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades é uma iniciativa anual da Associação Comercial e Industrial de Miranda do Douro (ACIMD), que conta com os apoios do município e da freguesia de Miranda do Douro. O certame é organizado desde 1998 e tem como propósito impulsionar a atividade económica dos seus associados.

























































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