Vimioso: Festa de São Lourenço sem romaria mas com muita gente

A vila de Vimioso celebrou a 10 de agosto, o feriado municipal, que coincide com a festa religiosa de São Lourenço e pelo segundo ano consecutivo não houve programa festivo, para evitar as aglomerações de pessoas e possíveis contágios do vírus covid19.

A festa de São Lourenço, em Vimioso, realizou-se, uma vez mais, sem os tradicionais concursos de bovinos de raça mirandesa e as lutas de touros, que todos os anos traziam e juntavam muitas pessoas na vila nordestina. Para evitar as aglomerações de pessoas também não houve música, nem o habitual espetáculo pirotécnico.

Ainda assim, no dia 10 de agosto, foi possível ir à feira de São Lourenço, onde inúmeros feirantes apresentaram os seus produtos à população local e aos muitos emigrantes que neste mês de agosto estão de visitam à terra natal.

No dia de São Lourenço, muitas pessoas visitaram a restauração local, para degustar os tradicionais pratos gastronómicos do concelho, como são o Butelo com Cascas, a Posta à Mirandesa, a Caldeirada de Cabrito e Cordeiro, os produtos de fumeiro da região, para além de pratos de carne de Javali, lebre, coelho ou perdiz.

Nas compras foi possível adquirir peças de artesanato local, como a cestaria, tecelagem, cobres, colchas, curtumes, cantarias (granito) e mármores.

No programa religioso houve a celebração da Eucaristia, em honra de São Lourenço, diácono.

São Lourenço nasceu em Espanha, na primeira metade do século III. O Papa Sisto II confiou-lhe a função de arquidiácono e responsável das atividades caritativas na diocese de Roma. Lourenço administrou os bens e as ofertas para prover às necessidades dos pobres, órfãos e viúvas.

A sua juventude foi abalada pelo drama da perseguição. No ano 258 d.C., o imperador Valeriano, decretou que todos os bispos, presbíteros e diáconos deveriam ser condenados à morte.

O Pontífice foi assassinado no dia 6 de agosto. Inicialmente, o imperador poupou a vida de Lourenço, ao qual pediu que lhe entregasse os “tesouros da Igreja”.

Lourenço apresentou ao imperador os enfermos, os indigentes e os marginalizados, dizendo-lhe: “eis os tesouros da Igreja”.

Quatro dias depois, no dia 10 de agosto, São Lourenço também foi martirizado.

No lugar do seu martírio, foi construída uma igreja, dedicada a São Lourenço, em Panisperna. Este nome derivaria do costume, por parte dos Frades e Clarissas, de distribuir aos pobres, no dia 10 de agosto, “panis et perna”, ou seja, pão e presunto.

O martírio de São Lourenço inspirou obras de arte, provérbios populares e poesias. Giovanni Pascoli escreve assim na sua poesia “10 de agosto”: “Eu sei porquê no dia de São Lourenço caem e brilham tantas estrelas. Porque é um pranto tão grande que ilumina o céu”…

HA

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