Ucrânia: «Não é só política, há pessoas mortas e famílias a fugir por causa da guerra» – Padre Ivan Petliak

O padre ucraniano Ivan Petliak, em serviço pastoral na Diocese de Setúbal, disse que as comunidades acompanham com preocupação a realidade no seu país e que a situação não é só política pois há pessoas mortas e famílias a fugir por causa da guerra com a Rússia.

“Não é só política, a situação é real, há pessoas mortas reais e há muitas famílias a fugir do oriente da Ucrânia, por causa da guerra com a Rússia”, explicou, em declarações à Agência ECCLESIA.

O padre Ivan Petliak assinala que os ucranianos anseiam pela resolução do conflito na fronteira com a Rússia, embora não saibam como pôr fim a esta situação.

“Já lutámos há 8 anos e a situação em vez de resolver-se, complicou-se o que leva muitos ucranianos a pensar em emigrar. Há muitas pessoas nos nossos grupos nas redes sociais que pensam procurar outra vida na Europa e perguntam-nos como é a vida em Portugal”, desenvolveu.

Segundo o sacerdote ucraniano, esta pretensão de deixar a Ucrânia visa defender as famílias e sobretudo as crianças. Mas a decisão não é fácil de tomar. E dá o exemplo da sua irmã, que construiu uma casa ao longo de 10 anos. “Como é que agora vai deixar tudo? Vais para onde? E vão viver como estrangeiros?”, questionou.

“Se começar mesmo um conflito muito vão fugir, têm medo, têm filhos. Os homens vão lutar mas muitos vão fugir. Todos sentimos que queremos resolver esta situação de modo diplomático, acreditamos que o Senhor nos ajude e que dê esta sabedoria aos líderes dos países que podem tratar esta situação de outro modo”, acrescentou.

O padre Ivan Petliak, que fala todos os dias com pessoas na Ucrânia, a sua região é “do lado da Polónia, do lado da Europa”, apresenta também o exemplo da sua família, uma irmã que construiu a sua casa ao longo de 10 anos e, agora, interroga-se como é que “vai deixar tudo, para ir para onde, e ficarem estrangeiros”.

A 26 de janeiro, a Igreja Católica realizou um Dia de Oração pela Paz na Ucrânia, convocado pelo Papa Francisco.

“Rezamos juntos pela paz nessa tarde e juntamo-nos ao mundo inteiro. Existem forças, armas, mas existem outras forças que a gente pode usar”, salientou o sacerdote, realçando que esta situação uniu as religiões, os líderes religiosos, na sua terra.

“Todos sentem que a situação é dura e a gente reza em casa. Todos temos este sentido que é preciso fazer alguma coisa. Mesmo a viver na Europa e longe da pátria, continuamos juntos, pois a Ucrânia está nos nossos corações”, acrescentou o padre Ivan Petliak.

O sacerdote, em serviço pastoral na Diocese de Setúbal, refere que nas suas Missas tem “sempre um pedido pela paz”, que “o Senhor ajude os soldados que estão na fronteira, a defender o país”, num conflito que “já roubou a vida a 15 mil pessoas” e começou há oito anos, quando “a Crimeia foi ocupada pela Rússia”.

Segundo o padre Ivan Petliak, os seus amigos portugueses perguntam-lhe sobre o que se passa na Ucrânia e explica que estão “em risco” mas não estão sozinhos, porque têm “países amigos que querem ajudar”.

“Como ucraniano, primeiramente rezo e convido todos os meus paroquianos a fazer o mesmo. Também dou muita atenção às redes sociais para partilhar informação verdadeira. Nós, ucranianos, temos o desejo de defender a liberdade e a nossa terra”, disse.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que também acompanha esta situação com proximidade, destaca que o arcebispo da Igreja Greco-Católica Ucraniana, D. Sviatoslav Shevchuk, reafirmou o compromisso na paz, no diálogo e no apoio às populações mais ameaçadas.

Fonte: Ecclesia | CB

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