Turismo: Aposta noutras regiões e noutros produtos – governador do BdP

O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, considera que Portugal dificilmente aumentará o número de turistas em regiões como Lisboa ou Algarve, mas que “há muita margem” para se apostar noutras regiões “e noutro tipo de turismo”.

Falando na VIII Cimeira do Turismo Português, promovida pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), que hoje decorreu em Lisboa, Santos Pereira aconselhou o setor a apostar “na qualidade, na diversidade e na exigência”, mas recordou que para alcançar esses objetivos é preciso “aumentar a produtividade” e gerar “maior valor acrescentado”.

Para que o setor consiga atrair e reter os melhores profissionais, sejam portugueses ou imigrantes, o governador recomendou o investimento na construção de habitação social e pública, pois “os custos de habitação são absolutamente insustentáveis para muitas das pessoas que trabalham no setor”.

“Só vamos atrair mais mão-de-obra se aliada a uma política de turismo tivermos uma política que aumenta a oferta habitacional e aumenta a oferta da habitação pública”, disse ainda.

Como principais desafios ao desenvolvimento do turismo, o governador apontou os riscos geopolíticos, designadamente ao inflacionarem o preço do petróleo e dos restantes bens e serviços, mas também a pressão turística, que “já se começa a sentir” em algumas regiões, as alterações climáticas e o “risco de oportunidade” que a inteligência artificial (IA) representa.

“Vejo a IA mais como uma grande oportunidade do que um risco, mas será um risco se nós não nos adaptarmos”, explicou.

Recordando que a IA “já começa a afetar e influenciar a maneira como os turistas descobrem destinos e planeiam as suas viagens”, aconselhou os agentes do setor a prepararem as suas plataformas e sistemas digitais “para responderem às perguntas de forma adequada e com atividades bastante variáveis”.

Citando um estudo da Booking feito em 2025, Santos Pereira destacou que 67% dos inquiridos já tinham usado IA relacionada com viagens, 89% tencionam usar no futuro e 12% aceitam que a IA tome decisões de forma autómoma.

“Não ficaremos surpreendidos se daqui a cinco, 10 anos estivermos a falar nesta conferência de um impacto enorme que esta tecnologia vai ter em todos os setores”, adiantou.

Como resposta aos desafios, o governador do Banco de Portugal sugeriu uma aposta em produtos e serviços diferenciados, de forma sustentável, redução da sazonalidade, promoção da diversificação territorial e eficiência dos transportes.

“Como país, não é minimamente aceitável que estejamos décadas à espera de um aeroporto essencial [como o novo aeroporto de Lisboa]”, disse ainda Santos Pereira, defendendo a necessidade de encurtar o prazos para a construção da infraestrutura projetada para Alcochete – que a ANA prevê concluir apenas em 2035 ou 2036.

Frisando que a Turquia construiu o mega-aeroporto de Istambul em quatro anos, avisou que qualquer demora na construção do NAL “vai afetar o país de uma forma bastante significativa”.

Na sua intervenção, Santos Pereira caracterizou com dados estatísticos o crescimento do setor e a relevância alcançada na economia portuguesa na última década e meia, sobretudo ao nível das exportações e da quota de mercado.

No emprego, afirmou que o crescimento tem vindo a abrandar em volume enquanto o crescimento dos salários se tem mantido sustentado. Mas, enquanto o salário médio nacional atinge os 1.686 euros mensais, o valor praticado no setor do turismo é de 1.145 euros mensais.

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr e HA

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