Rússia/Ucrânia: «Todo o mundo está a perder com a guerra» – Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz 

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) disse que a realidade da guerra na Ucrânia “era impensável para todos”.

Pedro Vaz Patto lembra que sociedades são confrontadas com uma situação que «já não se vivia na Europa há muito tempo»

“Somos confrontados com uma situação que já não se vivia na Europa há muito tempo. Voltamos à II Guerra Mundial para ver imagens como estas: Pessoas que correm para as fronteiras, pessoas que se refugiam em abrigos”, disse Pedro Vaz Patto, em entrevista emitida hoje no Programa ECCLESIA (RTP2).

O presidente da CNJP, organismo laical da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), acrescenta que a situação que se vive com a guerra na Ucrânia, na sequência da intervenção da Rússia começada a 24 de fevereiro, faz verificar que não se aprendeu “com as lições da história”.

O responsável recorda que, após a II Guerra Mundial, surgiram instituições como as Nações Unidas, a União Europeia, que “pretendiam que uma situação com estas não se repetisse, que a ordem internacional fosse baseada não na força mas no direito”.

O conflito que se vive na Ucrânia está a originar a fuga de milhares de pessoas, muitas acolhidas em Portugal, e para Pedro Vaz Patto esta “solidariedade humana deve ser posta em relevo”, salientando que os refugiados são para os cristãos “uma imagem de Jesus”, de Jesus sofredor”.

“Mas é importante ter presente que às vezes estes entusiasmos são passageiros e aquilo que é esta reação espontânea vai perdendo o fogo à medida que também se pede uma continuidade, uma persistência”, alertou o juiz desembargador, lembrando que vão surgindo “dificuldades”, e neste contexto também surge a mensagem do Papa Francisco que pede às pessoas que não se cansem “de fazer o bem”.

O tema das armas nucleares também já apareceu neste novo conflito que se vive na Europa, e para Pedro Vaz Patto pensar no desarmamento nuclear “não deixa de ter sentido” e é evidente que “tem de ser multilateral”.

“Se quisermos verdadeiramente viver em paz, não estar continuamente a pensar que um conflito pode desencadear numa tragédia que implique o uso de armas atómicas. Devemos pensar, como tem sugerido, o Papa no desarmamento”, desenvolveu.

Neste contexto, lembrou que depois da II Guerra Mundial “houve uma transformação que levou a aprender com o que sucedeu”, que levou a mudar as relações internacionais, por isso, também a partir daqui se vê “como é importante pensar num futuro diferente, baseado não só na dissuasão mútua”, que não é a paz verdadeira.

“Este tempo de Quaresma é também o tempo favorável para vermos e identificarmos tudo o que nas nossas vidas e nas nossas sociedades se configura como obstáculo à paz, de modo a que possa ser removido”, lê-se na reflexão do organismo laical sobre a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2022.

A Comissão Nacional Justiça e Paz tem como finalidade “promover e defender a Justiça e a Paz à luz da Doutrina Social da Igreja”, e no segundo dia de conflito na Ucrânia publicou a nota ‘nada se perde com a paz, tudo pode ser perdido com a guerra’, frase do Papa Pio XII tirada de uma “mensagem profética”, de 24 de agosto de 1939, quando “estava iminente o início da Segunda Guerra Mundial”.

“Todo o mundo está a perder com a guerra”, afirmou Pedro Vaz Patto.

O presidente da CNPJ da Conferência Episcopal Portuguesa começa por indicar que “a guerra tem como vítimas o povo ucraniano”, um país destruído, e milhões de pessoas que têm de deixar a sua terra, mas também “as próprias minorias russas que vivem na Ucrânia”, que são afetadas pelo conflito armado, e o próprio “povo russo, no ponto de vista económico”, no isolamento que se cria que até atinge os desportistas.

Fonte: Ecclesia

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