Portugal: Descida da temperatura permite passar a situação de alerta

A situação face aos incêndios no país baixou para o nível de alerta, suspendendo-se a contingência, que estava em vigor desde 11 de julho, devido à melhoria das condições meteorológicas, conforme decisão do Governo.

A situação de alerta está em vigor em Portugal continental até às 23:59 de terça-feira, dia 19 de julho, dia em que voltará a ser reavaliada, afirmou o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro.

“Nos próximos dias, a temperatura deverá baixar entre 2 e 8 graus, o que permite termos uma pequena janela para ajustar os esforços”, explicou José Luís Carneiro, lembrando que, “até ao final do verão, vão existir outros momentos muito exigentes” e “é preciso estar preparado”.

Na terça-feira, dia 18 de julho, a situação será reavaliada até porque se prevê um novo aumento das temperaturas, adiantou.

Portugal continental entrou em situação de contingência, segundo nível de resposta previsto na Lei de Bases da Proteção Civil, no dia 11 de julho e o Governo decidiu prolongar esta situação até 17 de julho.

A situação de alerta é, de acordo com a Lei de Bases da Proteção Civil, o nível menos grave, abaixo da situação de contingência e do patamar mais grave, a situação de calamidade.

Na última semana, o país enfrentou temperaturas elevadas e o dia mais quente foi a 13 de julho, em que quase todos os distritos estiveram sob aviso vermelho, o mais grave emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Desde 08 de julho, foram retiradas 939 pessoas de povoações ameaçadas pelas chamas e constituídas 12 zonas de apoio à população, que acomodaram 431 pessoas, acrescentou.

Os incêndios dos últimos dias afetaram residências, algumas de primeira habitação, casas devolutas e infraestruturas de apoio.

André Fernandes havia já alertado que, mesmo com o abaixamento do nível de alerta, é preciso “precaução”, pois “o país vive uma seca extrema e, portanto, os níveis de água no solo estão muito baixos e há muito combustível seco para arder”.

No período em que estiver em vigor, é proibido o “acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais, previamente definidos nos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios, bem como nos caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que os atravessem”.

Está também proibida “a realização de queimadas e de queimas de sobrantes de exploração”, bem como trabalhos nas florestas “com recurso a qualquer tipo de maquinaria, com exceção dos associados a situações de combate a incêndios rurais” e de trabalhos nos espaços rurais com recurso a motorroçadoras de lâminas ou discos metálicos, corta-matos, destroçadores e máquinas com lâminas ou pá frontal.

A situação não permite também que seja usado fogo-de-artifício, suspendendo as autorizações que já tenham sido emitidas.

A declaração deste nível de alerta impõe que a GNR e a PSP aumentem o grau de prontidão e resposta operacional em relação ao habitual, e sejam reforçados “os meios para operações de vigilância, fiscalização, patrulhamentos dissuasores de comportamentos e de apoio geral às operações de proteção e socorro”, autorizando as interrupções de férias e a suspensão de folgas.

A situação de alerta também implica a mobilização de equipas de emergência médica, saúde pública e apoio social, além do reforço do dispositivo de bombeiros com a contratualização de até 100 equipas e a mobilização em permanência das equipas de sapadores florestais.

O Corpo Nacional de Agentes Florestais e dos Vigilantes da Natureza também deve ser colocado em prevenção.

A diminuição do nível de prontidão, que passará de contingência para alerta, permitirá, no entanto, avançar com trabalhos de fertilização, regas, podas, colheita e transporte de culturas agrícolas, desde que sejam essenciais e inadiáveis e não aumentem o perigo, assim como de extração de cortiça, de mel e de construção civil.

Passa ainda a ser possível os trabalhos de colheita de culturas agrícolas com a utilização de máquinas, entre as 06:00 e as 10:00 e entre as 19:00 e as 22:00, desde que sejam comunicados ao Serviço Municipal de Proteção Civil territorialmente competente.

Fonte: Lusa

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