Política: Helena Barril propõe Seguro Municipal de Saúde

A candidatura social-democrata “Tempo de Acreditar”, à Câmara Municipal de Miranda do Douro, liderada por Helena Barril, apresentou publicamente uma proposta de implementar um seguro municipal de saúde, para melhorar o acesso da população do concelho aos cuidados de saúde.

A proposta do seguro municipal de saúde foi apresentada aos mirandeses, na tarde de domingo, dia 27 de junho, na praça de Sendim e com transmissão em direto pelas redes sociais.

A candidata à presidência da Câmara Municipal, Helena Barril, sublinhou que o seguro municipal de saúde será um complemento ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e visa apoiar as pessoas que não são beneficiárias de subsistemas de saúde, de seguros de saúde e que não têm recursos financeiros para suportar encargos acrescidos com a saúde.

Helena Barril disse conhecer a realidade do concelho de Miranda do Douro, onde vivem muitas pessoas idosas, com pensões muito baixas e que não têm condições para pagar, por exemplo, consultas de especialidade. O seguro municipal de saúde, esclareceu Helena Barril, tem por objetivo ajudar as pessoas a pagar as despesas com a saúde, que de outro modo não poderiam suportar. “É uma pequena ajuda, mas que pode fazer a diferença.”, justificou.

A nova medida pretende ajudar os munícipes a suportar despesas tais como, consultas de clínica geral e de especialidades, análises clínicas, meios complementares de diagnóstico e outros atos médicos.

Segundo a candidatura “Helena Barril 2021 – Tempo de Acreditar”, o seguro municipal de saúde destina-se a todas as pessoas que residem permanentemente no concelho de Miranda do Douro, a quem vai ser atribuído o cartão de saúde municipal.

Para Óscar Afonso, candidato à presidência da Assembleia Municipal de Miranda do Douro, esta medida é estrutural e visa melhorar a saúde das pessoas no concelho de Miranda do Douro.

“O direito ao acesso à saúde é fundamental e a autarquia deve contribuir para prevenir a doença, para prolongar a vida e promover a existência saudável”, defendeu.

A apresentação da proposta “Saúde para todos” contou com a participação online dos especialistas em saúde, Feliciano Pereira Martins, Graciano Paulo, Jorge Paulo Roque da Cunha e Ricardo Mexia.

Feliciano Pereira Martins, professor universitário e atual presidente da assembleia municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, informou que o seguro municipal de saúde foi implementado há quatro anos naquela localidade.

O autarca esclareceu que o acesso aos cuidados de saúde é muito difícil em territórios do interior, onde há pouca população, a maioria são idosos e por mais esforços que faça o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não consegue resolver.

Por essa razão, Feliciano Pereira afirmou que “o seguro municipal de saúde é fundamental para cuidar das pessoas”.

Feliciano Pereira Martins, explicou depois em que consiste a medida: “É um seguro de saúde de grupo, em que o tomador é o município e os beneficiários são todos os residentes no concelho, através de um cartão que lhes é atribuído.”

Implementado há quatro anos em Figueira de Castelo Rodrigo, o seguro municipal de saúde permite às pessoas beneficiar de consultas de especialidade, de análises, meios de diagnóstico, estomatologia e futuramente de serviços de cuidados a pessoas idosas (geriatria).

Na sua intervenção, Ricardo Mexia, médico e mestre em saúde pública, reconheceu que nos territórios de baixa densidade o acesso aos cuidados de saúde, preventivos e terapêuticos, é um sério problema.

“Há a dificuldade em fixar os profissionais nessas regiões e por conseguinte em oferecer cuidados de saúde às pessoas que aí residem”, constatou.

O também membro do Instituto de Epidemiologia Dr. Ricardo Jorge, referiu que neste último ano e meio, o acesso aos cuidados de saúde no SNS agravou-se ainda mais, por causa da pandemia. “Ficaram por fazer milhões de consultas e milhões de exames complementares de diagnóstico”, informou.

Por esta razão, o médico Ricardo Mexia, disse que tentar encontrar soluções que possam mitigar a dificuldade de acesso aos cuidados de saúde tem uma repercussão importante na vida das pessoas.

Para concluir, Graciano Paulo, doutorado em Ciências da Saúde, lembrou que a questão da acessibilidade é um problema gravíssimo no concelho de Miranda do Douro. “E não é só o acesso aos cuidados em si, é também o difícil e longo trajeto para chegar ao hospital mais próximo de Bragança, que dista quase 80 quilómetros”, indicou.

HA

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