Cultura: Concatedral de Miranda do Douro volta a ter um organista titular

Rui Pedro Valdemar é o novo organista titular da Concatedral de Miranda do Douro, tendo vindo de Lisboa juntamente com a esposa Joana e os filhos Francisco e Constança, para viverem no interior do país.

Rui Valdemar é o novo Organista Titular da Concatedral de Miranda do Douro

A mudança deste jovem casal de Lisboa para Miranda do Douro, aconteceu após vários contatos e visitas do jovem músico, natural de Macedo de Cavaleiros, à Concatedral, para se inteirar do estado do órgão litúrgico do século XVII e da necessidade de o restaurar.

“Sempre tive o sonho de fazer algo pela região de onde sou natural. E constatei que havia um interesse de Miranda do Douro em recuperar a tradição da música sacra e litúrgica”, disse.

Quanto ao trabalho que pretende desenvolver, Rui Valdemar, adiantou que no essencial a sua tarefa vai ser a revitalização da musica sacra, quer na função de Organista Titular da Concatedral, quer como mestre-capela ou diretor do coro.

“O maior desafio é devolver a dignidade litúrgica à Concatedral, pois a música desempenha um importante papel na evangelização, sobretudo da população católica não praticante”, indicou.

Rui Valdemar afirmou mesmo que gostaria de tornar Miranda do Douro num centro de referência da Música Sacra, nos âmbitos nacional e também ibérico.

No que toca ao restauro do órgão litúrgico da Concatedral, Rui Valdemar, indicou que na década de 1950 houve uma intervenção que alterou a versão original do órgão, colocando-lhe, por exemplo, um teclado de piano.

“Houve uma falta de sensibilidade histórica nesses anos, que condiciona muito e execução do instrumento musical e num próximo restauro deveria ser colocado o teclado original, que é muito mais leve e apto para a música sacra”, explicou.

A colaboração na paróquia

De acordo com o Padre Manuel Marques, pároco de Miranda do Douro, a vinda deste jovem qualificado em música sacra é uma oportunidade de renovação e de aperfeiçoamento da qualidade das celebrações religiosas.

“O Rui Valdemar é uma pessoa conhecedora da liturgia e que tem uma vasta formação, pelo que nos vai ajudar a dignificar cada vez mais as celebrações através da música, da formação musical ao grupo coral e também na formação das crianças e dos jovens”, explicou.

O contributo para a Concatedral

De acordo com Celina Pinto, diretora do Museu da Terra de Miranda, o promotor deste projeto abrangente é o município de Miranda do Douro e o museu, enquanto entidade cultural que tutela a Concatedral, pretende com a colaboração de Rui Valdemar valorizar o órgão do século XVII.

“A vinda do Rui tem por objetivo que o órgão seja utilizado musicalmente nas celebrações religiosas, mas também em recitais e concertos e ainda nas visitas guiadas e noutras atividades a realizar na concatedral”, especificou.

Sobre a necessidade de restauro e afinação do órgão litúrgico, Celina Pinto, adiantou que a contratação de Rui Valdemar, como Organista Titular da Concatedral e o consequente uso regular daquele instrumento musical, poderá avançar mais rapidamente com o restauro e a afinação do mesmo.

“A vinda do Rui tem por objetivo que o órgão seja utilizado musicalmente nas celebrações religiosas, mas também em recitais e concertos e ainda nas visitas guiadas e noutras atividades a realizar na concatedral”, especificou.

A adaptação da jovem família a Miranda do Douro

Sobre a adaptação a Miranda do Douro, o jovem casal adiantou que inicialmente a ideia era morarem em Macedo de Cavaleiros. No entanto, os mais de 80 quilómetros de distância entre Macedo de Cavaleiros e Miranda do Douro e o imperativo da dedicação total a este novo desafio profissional, fez com que ele e a sua jovem família decidissem viver na aldeia de Malhadas.

“A minha esposa é natural de Lisboa e sempre viveu na cidade. Pensei que teria maior dificuldade em adptar-se à vida na aldeia, mas para minha surpresa está a gostar e dá muito valor a coisas tão simples como o maior espaço para as crianças brincarem e correrem ou o não ter que enfrentar as estradas cheias de trânsito para ir para o trabalho”, disse.

Relativamente às desvantagens, Rui Valdemar mostrou-se conhecedor da insuficiência no serviço de saúde no interior do país.

“Na eventualidade de precisarmos de assistência para os nossos filhos, preocupa-nos que o centro de saúde não esteja em funcionamento as 24 horas por dia”, referiu.

Mas por outro lado, mostrou-se agradado com a inexistência de filas noutros serviços como as Finanças ou na Segurança Social, onde já esteve e foi rapidamente atendido. Também indicou que a segurança e o custo de vida são outras vantagens para quem vive nestas localidades.

O jovem músico destacou ainda as mais valias da gastronomia e do ar puro da natureza que disse ser “um bem que não tem preço”.

“Os produtos locais têm uma qualidade e um sabor únicos e são muito melhores do que aqueles que compramos nas grandes superfícies”, disse.

Por seu lado, a esposa, Joana disse que a adaptação a Miranda do Douro e à aldeia de Malhadas está a correr bem e corresponde inteiramente ao propósito de melhorar a qualidade de vida familiar.

“Estamos a gostar especialmente do sossego que se vive no campo, ao contrário do estilo de vida na cidade que é mais stressante”, disse.

Em Malhadas, Joana revelou que têm recebido manifestações de proximidade e solidariedade da população local interessando-se pelo bem estar da jovem família.

Para as pessoas e famílias que sonham instalar-se ou regressar ao interior do país, Joana lembrou que Portugal está a precisar de repovoar as aldeias.

“Nós estamos a ser muito bem acolhidos pela população local”, concluiu.


Perfil

Rui Pedro Valdemar nasceu em Macedo de Cavaleiros.

Descobriu a sua vocação musical nos tempos de acólito, onde verificou que não havia pessoas para tocar órgão em toda a diocese de Bragança-Miranda.

Estudou no Conservatório Regional de Vila Real passando posteriormente pela Classe de Órgão da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa.

Ingressou na licenciatura em Ciências Musicais (NOVA-FCSH) e em Composição na Escola Superior de Música de Lisboa pela qual é licenciado.

Em Macedo de Cavaleiros, com o apoio do município, organizou o Festival de Música, centrados na música clássica e erudita, com o objetivo de dinamizar o comércio local.

Até há bem pouco tempo, em Lisboa, desempenhava as funções de Organista Titular da Igreja de São Roque, Organista da Igreja da Encarnação, Igreja da Graça e organista da Igreja de Nossa Senhora de Fátima do Bairro Padre Cruz.

Desempenha as funções de Diretor do Serviço de Música Sacra da Igreja de São Roque, onde desenvolveu projetos de valorização da música não canónica, projetos sociais e de combate ao isolamento.

As suas composições versam especialmente musical coral, obras para órgão, orquestra sinfónica, banda filarmónica, pequenos ensembles, voz e piano e sobretudo piano solo, bem como hino regimentais.

HA

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