Igreja/Sociedade: Alerta para os perigos da desertificação

O presidente da Comissão Diocesana Justiça e Paz (CDJP)  de Bragança-Miranda alertou para os perigos da desertificação de boa parte do país, pedindo medidas políticas que valorizem o Interior.

“O deserto deriva do inverno da emigração. E emigração já não é de pessoas desqualificadas, como era na década de 60 e 70, é de  pessoas extremamente qualificadas e que deixam o país numa situação de desastre. Eu uso muito a palavra ‘desastre’, porque a nossa melhor inteligência está a ir embora, e os políticos ainda não se deram conta disto”, afirma Henrique Ferreira, convidado da entrevista semanal Ecclesia/Renascença, publicada e emitida ao domingo.

“Em termos de futuro, é talvez o problema mais grave que país vai enfrentar”, acrescenta.

O responsável sustenta que é necessário maior investimento dos municípios e dos governos, pedindo “programas por regiões” que possam fazer a diferença.

“O grande parte dos problemas do interior são problemas de orientação do investimento”, observa.

O responsável sustenta que é necessário maior investimento dos municípios e dos governos, pedindo “programas por regiões” que possam fazer a diferença.

O presidente da CDJP de Bragança-Miranda, organismo da Igreja Católica, convida os responsáveis políticos a “pensar que tipos de apoios vão dar ao Interior, nomeadamente em perdão de impostos às empresas que aqui se localizarem”.

Se querem discriminação positiva para o Interior, é preciso pensar nesta dimensão, há que apoiar programas de transporte público, comparticipado pelo Estado.

Para Henrique Ferreira, a interatividade regional é “tão importante nos transportes como nas vias de comunicação”.

“Sabe quanto é que a minha filha demora, de Castelo Branco a Bragança, para fazer 275 quilómetros, se vier de autocarro? 10 horas. Não há um autocarro nem direto, nem semidirecto. É preciso vir até à Guarda, daí para Viseu e seguir por Vila Real e Mirandela até Bragança”, relata.

Questionado sobre as propostas de regionalização, o entrevistado sublinha que é necessário promover uma divisão “simétrica” do território.

“De fizermos uma regionalização horizontal, que corresponda às coordenações de desenvolvimento regional, estamos pura e simplesmente a aumentar a liquidação do Interior”, adverte.

Henrique Ferreira assinala como prioridade do trabalho da CDJP o combate à pobreza, no território da Diocese de Bragança-Miranda, destacando a intervenção da Cáritas e da Cruz Vermelha.

Ou nós fazemos uma regionalização simétrica, de norte a sul, interior, ou então vamos pôr as regiões em desequilíbrio, as do Interior vão ser sugadas pelas do Litoral – até neste aspeto seria preciso ter diferentes modelos de regionalização”.

“Bragança tem instituições que estão a trabalhar bem, nesse aspeto, o que falta agora é a otimização dos programas de emprego”, refere.

Fonte: Ecclesia e RR

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