I DOMINGO DA QUARESMA

Tentações

Deut 26, 4-10 / Slm 90 (91), 1-2.10-15 / Rom 10, 8-13 / Lc 4, 1-13

Jesus é levado ao deserto pelo Espírito. E aí passa quarenta dias em oração e jejum. Não imaginemos um ser fantástico, imune à fadiga, à fome e a estados de alma. Olhemos para um Jesus maltratado pelos extremos de uma vida no deserto, um Jesus que padece um calor abrasivo durante o dia, um frio que queima durante a noite e uma fome que continuamente tolda o juízo.

O Tentador, arguto como é, esperou o momento de maior fragilidade, simbolicamente representado pelo número quarenta, para desviar Jesus do Pai, começando pela satisfação da necessidade mais premente – alimento – e passando aos desejos mais profundos daquele: que todos conheçam e reconheçam o Deus de Amor, que vem à sua procura. Citando a Sagrada Escritura, Jesus derrota Satanás. Mas estas palavras não brotam de uma mera sabedoria judaica, como quem cita autores, mas de um coração que fez da Escritura alimento na necessidade.

As respostas de Cristo são forjadas pelo combate espiritual. Cristo recusa todo o atalho na vida, ignorando a satisfação da necessidade imediata, rejeitando o domínio sobre todas as nações se este se funda na adoração da mentira, e declinando o convite a seduzir a Humanidade pela demonstração do seu poder. Alimentando-se da Palavra, deixando que esta se tatuasse no seu corpo, negando o caminho fácil mas tortuoso da complacência com o mal, Cristo arrisca o fracasso, mas mantém-se fiel ao bem, à verdade e à justiça.

Cristo recusa todo o atalho na vida, ignorando a satisfação da necessidade imediata, rejeitando o domínio sobre todas as nações se este se funda na adoração da mentira e declinando o convite a seduzir a Humanidade pela demonstração do seu poder.

Também nós somos tentados com a autossuficiência, com o poder e com o desejo de sermos admirados por outros. A luta de Jesus com as tentações é a nossa luta, e devemos invocar o Senhor na adversidade, reconhecendo que, ao optar pelos caminhos corrompidos pela mentira e pelo mal, nos tornamos reféns do pecado. A vitória não nos pertencerá, nem será louvor de Deus, mas adoração do mal.

Comecemos esta caminhada quaresmal com Jesus, entrando nos desertos das nossas vidas. Inauguremos a Quaresma com inteireza de ser, com um coração que crê e lábios que professam o Deus que Cristo nos revela, com um coração que ama o bem e rejeita a facilidade, com lábios que abraçam a verdade e abominam o engano.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1619

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