VIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Palavras e ações

Sir 27, 5-8 / Slm 91 (92), 2-3.13-16 / 1 Cor 15, 54-58 / Lc 6, 39-45

É preciso provar o fruto para saber se uma árvore é boa. As aparências, não raras vezes, enganam-nos. Quantas das nossas «boas ações», motivadas por boas intenções, não nos provocaram amargos de boca? Quantas vezes não fomos cegos à nossa própria realidade no desejo de motivar outros a levar uma vida «exemplar»?

Na sabedoria do Antigo Testamento, o «fruto» é uma metáfora clássica para a ação humana: com os nossos gestos e feitos, revelamos a nossa interioridade. Como nos recorda o Evangelho de hoje, «a boca fala do que transborda do coração». E isto não é sentimentalismo, pois para a cultura judaica de então, o coração não é o lugar do mero sentimento, mas o lugar da consciência, da decisão, da reflexão.

Na sabedoria do Antigo Testamento, o «fruto» é uma metáfora clássica para a ação humana: com os nossos gestos e feitos, revelamos a nossa interioridade.

O coração é lugar de encontro entre o pensamento – que estaria na cabeça – e as entranhas, onde dominam os sentimentos. É aí que pensamentos e sentimentos devem ser ponderados, pesados, medidos, vistos à luz da vida de Cristo. E, uma vez postos à prova e considerados conformes à nossa fé, então sim devem levar-nos à ação.

Cristo é a lente através da qual vemos o mundo. E para evitar cegueiras e autoenganos, o Evangelho de hoje desafia-nos a assumir duas atitudes: ter uma visão espiritual sobre o que acontece e o que nos acontece, isto é, identificar a graça, o convite que Deus nos faz em cada situação; testar se, entre o que vai no nosso coração e o que é expresso pela nossa boca, há coerência, pois poderemos estar cegos aos nossos próprios limites, enquanto pretendemos ensinar outros a viver.

Não nos fiquemos por uma vida de fé que se resuma a uma moral de boas ações, imposta a outros ou autoimposta, tendo como único juiz as nossas próprias convicções. Ofereçamos os nossos pensamentos e sentimentos a Cristo, deixemos que Ele os peneire e os prove no seu amor. Examinemos o que entendemos como bom à luz da vida de Cristo e tenhamos uma vida que se alimenta da graça da presença de Deus em nós.

O mestre do outro nunca serão as nossas palavras, mas as nossas vidas. O nosso testemunho, com toda a fragilidade e vulnerabilidade de cada um dos nossos gestos, é o grande livro e a única palavra que podemos oferecer aos outros para que se convertam, se apaixonem e adiram a Cristo.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1612

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