Fermoselle (Espanha): Incêndio obrigou à evacuação das populações espanholas e preocupa portugueses
Na localidade espanhola de Fermoselle, vizinha da vila de Sendim e da aldeia de Picote, em Portugal, deflagrou um violento incêndio que se propagou rapidamente ao Parque Natural das Arribas do Douro e obrigou à evacuação das populações de várias localidades espanholas.
De acordo com o jornal La Opinión de Zamora, o incêndio deflagrou às 13h00 de quarta-feira, dia 29 de julho, na freguesia de Fermoselle, nas encostas do rio Douro.
A proximidade do incêndio à localidade de Fermoselle obrigou as autoridades espanholas ao corte da estrada CL – 527, que liga Fermoselle a Zamora.
O intenso fumo e a velocidade de propagação do fogo levaram à evacuação de 800 pessoas de 14 aldeias do município de Sayago. No entanto, perante o avanço do incêndio, alguns moradores, agricultores e criadores de gado recusaram-se a sair, de modo a proteger as suas casas, propriedades e animais.
Não obstante o initerrupto trabalho das autoridades e bombeiros espanhóis, na localidades de Fornillos de Fermoselle, o foto destruiu três casas e nas aldeias de Palazuelo, Tudera e Zafara queimou explorações pecuárias.
Ao longo de toda a noite, os bombeiros espanhóis e a Unidade Militar de Emergências trabalharam para proteger os bens das populações e apagar o incêndio.
Na manhã desta quinta-feira, dia 30 de julho, os operacionais espanhóis continuam no terreno em trabalhos de extinção e vigilância do incêndio.
Do lado português, o presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Luís Santiago, mostrou-se solidário com as populações vizinhas espanholas e também preocupado com a possibilidade do fogo passar para a margem portuguesa.
“Nas freguesias do Barrocal do Douro e na Freixiosa, onde as margens do rio Douro são mais próximas há a possibilidade de com o vento, o fogo se propagar para o lado português. Por isso, há que estar muito vigilantes pois nas arribas do rio Douro há muita vegetação e é um local de difícil acesso para os bombeiros”, disse o autarca de Sendim.

Também o presidente da Freguesia de Picote, Jorge Lourenço, expressou preocupação pela gravidade e rápido alastramento do incêndio, que segundo o autarca, chegou a aproximar-se da barragem construída no Barrocal do Douro.
“Na manhã desta quinta-feira, dia 30 de julho, verifiquei que os helicópteros estavam a fazer descargas de água para prevenir possíveis reacendimentos do fogo. Se não houver muito vento, é possível que o incêndio seja completamente extinto. Lamento profundamente os danos que o foto causou às localidades vizinhas de Espanha”, disse Jorge Lourenço.
Ao ver o fogo aproximar-se, a população de Picote e do Barrocal do Douro recordou-se do que aconteceu a 26 de agosto 2017, quando um grave incêndio deflagrou em Espanha e por causa do forte vento passou para Portugal.
“Felizmente, desta vez o vento não trouxe o fogo para a margem portuguesa. Quero ainda agradecer a prontidão dos bombeiros de Sendim e de Miranda do Douro e das equipas de sapadores florestais que imediatamente se posicionaram para responder a qualquer ocorrência”, disse o autarca picotês.
Nas arribas do Douro, dado o acentuado declive do terreno e também por ser uma área protegida do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), a prevenção e o combate aos incêndios é uma tarefa difícil, pelo que o presidente da Freguesia de Picote, Jorge Lourenço apela à intervenção do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).
“Tão importante como a biodiversidade existente no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) é a necessidade de prevenção de incêndios, com a implementação de medidas como, por exemplo, a construção de caminhos e corta-fogos nesta área protegida. Apelo, por isso, ao bom sendo das autoridades para a necessidade de uma estratégia de prevenção de incêndios no PDNI”, recomendou o autarca de Picote.
Fonte: La Opinión de Zamora e HA | Vídeo e foto: José Francisco André