Fátima: Cardeal D. António Marto convida à oração pela paz na Ucrânia

O cardeal D. António Marto apelou em Fátima à oração pela paz na Ucrânia, falando aos peregrinos reunidos para a celebração da festa litúrgica dos santos Francisco e Jacinta Marto, dois dos videntes das aparições de 1917.

“Deste Santuário da paz faço um apelo a vós aqui presentes e a todos os católicos do país para iniciarem uma corrente de oração do rosário nesta semana, em forma individual, familiar ou comunitária, pela paz na Ucrânia”, pediu o administrador apostólico da Diocese de Leiria-Fátima.

O responsável católico evocou o “contexto atual que o mundo conhece e atravessa, após longo período de fragilidades, feridas, incertezas, luto e medos em que paira uma ameaça de guerra”.

“É necessário despertar da indiferença, da apatia, do cansaço espiritual, do desânimo que pode levar ao fatalismo”, sustentou.

Para D. António Marto, é preciso contrariar a ideia de que “só os poderosos – os poderes económico-financeiros e políticos – podem transformar o mundo”.

“Deus conta com os pequenos e os humildes, com a força de fá na sua misericórdia, com o testemunho da conversão e da compaixão, com a força da oração para renovar o mundo. Somos chamados a olhar o futuro com confiança, reconstruindo as relações entre as pessoas e os povos, como Bons Samaritanos que cuidam dos feridos e ajudam a curar as feridas do nosso tempo”, acrescentou.

Falando dos santos Francisco e Jacinta Marto, o cardeal português referiu que os dois mais jovens pastorinhos são “testemunho vivo deste caminho espiritual no qual foram introduzidos pela ternura da Senhora mais brilhante que o sol”.

“Abandonaram-se nos braços amorosos de Deus com uma alma de criança, sem medo, com total confiança, verdadeiramente felizes e este é o segredo da vida mística”, indicou.

D. António Marto considerou que “esta experiência deve contagiar-nos neste nosso tempo de esquecimento de Deus, de esmorecimento da fé”, assinalando que a atual conjuntura de pandemia, “num mundo plural e pluralista, num ambiente social e cultural de indiferença religiosa e, por vezes, adverso, não há fé que aguente sem esta dimensão mística”.

Os dois jovens irmãos, que morreram vítimas da Gripe Espanhola, foram canonizados pelo Papa Francisco no dia 13 de maio de 2017, no ano do Centenário das Aparições, na Cova da Iria.

Esta foi a última celebração a que D. António Marto presidiu no Santuário de Fátima, enquanto responsável pela Diocese de Leiria-Fátima.

No final da celebração, em declarações aos jornalistas, o cardeal disse que o dia 13 de maio de 2017 foi o “momento mais pleno e marcante” vivido no seu ministério.

O responsável recordou ainda outro momento, ligado ao primeiro confinamento provocado pela atual pandemia de Covid-19.

“Nunca esquecerei, por ser marcante, aquele 13 de maio de 2020 em que de um momento para o outro senti que tinha de presidir a uma peregrinação que eu nunca imaginava, espiritual, com um Santuário sem peregrinos, mas com o mundo inteiro unido a nós, para evocar a misericórdia do Senhor”, relatou.

Citado pelo Santuário de Fátima, D. António Marto reforçou a sua preocupação com a atual situação de crise no Leste da Europa.

“Estamos a viver algo que nunca imaginamos, depois da II Guerra Mundial, e espero bem que os homens possam refletir na sua consciência e ver os passos que devem evitar para não fazer sofrer a humanidade”, declarou.

A celebração assinalou a solenidade litúrgica dos santos Francisco e Jacinta Marto, videntes de Fátima, tendo António Marto considerado que eles “são o melhor comentário vivo do evangelho proclamado”.

Francisco e Jacinta, segundo o cardeal, “em momentos de grande sofrimento de guerras e perseguição”, ofereceram-se “sem hesitação, com o seu sim total, com o amor ardente que tinham no peito, com a oração solidária do rosário, com pequenos e grandes sacrifícios, com o testemunho de fidelidade até ao fim da sua vida feita toda ela oblação, pela paz no mundo e conversão dos pobres pecadores mais necessitados de misericórdia”.

Em declarações no final da missa, citadas pela Sala de Imprensa do Santuário, António Marto recordou o dia 13 de maio de 2017 como “o momento mais pleno e marcante” enquanto esteve à frente da diocese de Leiria-Fátima, pois “foi um momento culminante de todo o Centenário das Aparições, com a vinda do Papa, a canonização dos Pastorinhos e a chegada de milhões de peregrinos, vindos de todo o mundo”.

O prelado recordou também o dia 13 de maio de 2020, em plena pandemia, em que presidiu “a uma peregrinação que nunca imaginava, espiritual, com um Santuário sem peregrinos (…), foi tocante”.

O cardeal António Marto, que agora passa a ser bispo emérito, juntando-se a Serafim Ferreira da Silva, que já leva esse título, entrou em Leiria em 25 de junho de 2006.

Fonte: Lusa

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