Exposição: «Pinturas murais na fronteira do século XVI»

Já é possível visitar, no Museu da Terra de Miranda, a exposição “Pinturas murais na fronteira do século XVI” , alusiva às pinturas “a fresco” existente nas igrejas e capelas, das regiões de Salamanca, Zamora e Trás-os-Montes.

A exposição que vai estar patente ao público, até ao dia 30 de outubro, no Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, mostra pinturas que são caraterísticas da região da raia, ou de fronteira, como é o caso da comarca de Sayago, em Espanha e os concelhos de Miranda do Douro e de Mogadouro, em Portugal.

Assim, estas pinturas murais existem em povoações raianas, como são os casos de Torregamones e Palazuelo de Sayago (Zamora) e do lado português é possível ver estas representações, em localidades como Fonte de Aldeia, Vila Chã da Braciosa, Bemposta, Picote (Portugal), entre outras localidades.

Todas estas pinturas, existentes nos dois lados da fronteira, têm caraterísticas comuns.

Uma dessas caraterísticas comuns, é o facto de uma parte importante destas pinturas murais ter sido realizada em edifícios simples, de reduzido tamanho, edificados na passagem do século XV para o século XVI.

A técnica utilizada nestas pinturas murais é o “fresco”. Assim, sob o suporte de granito aplicava-se uma camada de reboco de uns quarto milímetros de espessura. Este reboco tinha que estar húmido e fresco para se aplicarem as cores. A pintura a fresco exigia uma enorme preparação técnica, dado que não permitia retificações, pois isso, implicava remover o reboco e voltar a aplicar um novo.

Um excelente exemplo deste tipo de pintura a fresco, é a representação do Calvário, na Igreja de Nossa Senhora do Monte, em Duas Igrejas.

O tipo de desenho mais caraterístico nas igrejas e capelas, é o desenho do retábulo fingido, isto é, a simulação de um retábulo de madeira.

A temática fundamental destas pinturas murais é de caráter religioso e a sua fonte iconográfica é o Novo Testamento e os Evangelhos Apócrifos. Os principais temas são as cenas da vida da Virgem e os episódios da Infância e da Paixão de Cristo.

Na Igreja de Malhadas, por exemplo, o tema do Juízo Final, ocupa todo o espaço de um dos tramos da nave, na parede norte. E em Teixeira, há uma pintura ainda mais elaborada do Juízo Final que reveste a abóboda.

Também as pinturas das vidas dos santos e santas são muito comuns nestas igrejas e capelas.

Em Fonte de Aldeia, por exemplo, a pintura que reveste a parede do fundo da capela-mor invoca o mistério da Santíssima Trindade.

Em Picote, há um ciclo de pinturas dedicado a Sâo João Baptista.

E no Ermitério dos Santos, em Sendim, as pinturas que revestem totalmente o rochedo simbolizam a Coroação da Virgem e desenham o Apóstolo, São Paulo.

1 comentário em “Exposição: Museu da Terra de Miranda acolhe «Pintura mural: a raia transmontana no século XVI»”

  1. Parabéns Hugo!

    Pela excelente promoção e divulgação cultural da nossa terra, que vem fazendo através do seu jornal digital. Ainda não vi a exposição de murais no Museu da terra de Miranda, mas a leitura deste artigo deixou-me curiosa.
    Parece-me até que seria um bom conteúdo para propor ao Movimento Cultural da Terra de Miranda.

    Boa continuação!

    Balbina

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