Entrevista: “O município de Vimioso apoia a agricultura e a pecuária” – António Santos
O presidente da Câmara Municipal de Vimioso, António Santos, expressou grande satisfação pela visita a 10 de agosto, do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes e pelos milhares de pessoas que vieram ao feriado municipal ou Dia do Município, numa jornada festiva que começou com a feira anual de São Lourenço, prosseguiu com o Concurso Concelhio de Bovinos de Raça Mirandesa, as chegas de touros e encerrou com o concerto musical de Nininho Vaz Maia.
Terra de Miranda – Notícias: No Dia do Município de Vimioso, que significado teve a visita do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes?
António Santos: A visita do senhor ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes veio confirmar o compromisso do município de Vimioso, com o desenvolvimento da agricultura e da pecuária no concelho. A exemplo do que acontecia no passado, o município de Vimioso apoia a criação de raças autóctones como são os bovinos mirandeses, mas também ovinos e caprinos, pois a agricultura e a pecuária são as atividades que mais contribuem para a fixação de população, para a limpeza dos montes e para a dinamização da economia local, com a comercialização de produtos como carne, o leite e os seus derivados. Este ano, o concurso concelhio de bovinos de raça mirandesa contou com um número recorde de animais, uma centena bovinos, nas várias categorias, de novilhos, vacas e touros.
“Este ano, o concurso concelhio de bovinos de raça mirandesa contou com um número recorde de animais, uma centena bovinos, nas várias categorias, de novilhos, vacas e touros.”

T.M.N.: A 12 de outubro de 2025, António Santos, conquistou a confiança da população do concelho de Vimioso, ao ser eleito presidente da Câmara Municipal. Após a tomada de posse definiu como prioridades do executivo social-democrata (PSD) o combate ao despovoamento com incentivos ao investimento e à criação de emprego, a aposta na educação e novos serviços de saúde para a população. O que já foi feito nestes âmbitos?
A.S.: O repovoamento do concelho é o maior desafio. Acredito que isso só acontece com novas empresa e a criação de emprego. Para apoiar as empresas na criação de emprego, o município de Vimioso atribui cinco mil euros por cada novo posto de trabalho. Na saúde e para favorecer a fixação de médicos, o município de Vimioso oferece uma série de incentivos como habitação permanente ou subsídio para arrendamento, aquisição ou construção de habitação no concelho; pagamento de despesas mensais de eletricidade, água e internet; pagamento de equipamento, mobiliário e eletrodomésticos; viatura municipal para deslocações profissionais médicas às freguesias do concelho; entre outros incentivos. Aos médicos que prestam serviço no regime de consultas abertas, o município paga-kes 10€/hora. Por fim, no ensino o objetivo de oferecer aos alunos a frequência dos 10, 11º e 12º anos no Agrupamento de Escolas de Vimioso (AEV), ainda não é possível pela falta de um número razoável alunos. No entanto, a frequência do ensino secundário pode ser feita no AEV, através da modalidade de turmas de responsabilidade partilhada, com outras escolas. Um dos projetos que vamos realizar nas escolas em Vimioso é a instalação de um sistema de climatização, para proporcionar excelentes condições de trabalho, estudo e lazer à comunidade escolar.
T.M.N: No âmbito das infraestruturas, a construção da ponte Vimioso-Carção é uma necessidade, para a qual parece que não há dinheiro suficiente, nem empresas para realizar a obra?
A.S.: No dia 6 de agosto, desloquei-me a Lisboa, para uma reunião com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, que me comunicou a intenção do governo em lançar um novo concurso público no valor de 45 milhões de euros. A ligação Vimioso-Carção é uma obra estratégica e prioritária no distrito de Bragança, assim como é a estrada Bragança Vinhais. Na eventualidade do concurso público ficar novamente deserto há a possibilidade de o orçamento ser reforçado em 10%, ou seja, aos 45 milhões de euros poderão acrescentar-se 4,5 milhões, perfazendo assim um total de 49,5 milhões de euros para a construção da tão necessária ligação Vimioso-Carção.
“O repovoamento do concelho é o maior desafio. Acredito que isso só acontece com novas empresa e a criação de emprego. Para apoiar as empresas na criação de emprego, o município de Vimioso atribui cinco mil euros por cada novo posto de trabalho.”
T.M.N: Atualmente, nos concelhos de Vimioso e Miranda do Douro, está a decorrer a consulta pública sobre a instalação do Parque Eólico da Fronteira. Quais os prós e contras deste novo empreendimento para o concelho de Vimioso?
A.S.: Sobre este projeto é importante dizer que há sempre receios, dúvidas, preocupações e contestações, seja pela instalação de parques eólicos, seja pela construção de barragens ou de outros empreendimentos. Neste processo, o município de Vimioso foi a última parte a ser informada a 29 de julho, dado que anteriormente a empresa Engie, já se havia dirigido às freguesias onde pretende instalar o parque eólico e às populações. Na dita reunião, tive conhecimento de que na União de Freguesias de Vale de Frades e Avelanoso e na União de Freguesias de Caçarelhos e Angueira foi criada uma zona de Aceleração Energética, onde há a possibilidade de instalar 20 aerogeradores do Parque Eólico da Fronteira. Futuramente e porque é do debate que se esclarecem os prós e contras, o município de Vimioso e a Assembleia municipal vão tomar uma posição contra ou a favor da instalação do parque eólico no concelho.
“Tive conhecimento de que na União de Freguesias de Vale de Frades e Avelanoso e na União de Freguesias de Caçarelhos e Angueira foi criada uma zona de Aceleração Energética, onde há a possibilidade de instalar 20 aerogeradores do Parque Eólico da Fronteira.”
T.M.N: A 3 de agosto, arrancou um novo sistema de transporte público nos concelhos da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM). Perante o despovoamento das aldeias, este serviço é necessário?
A.S.: Sim, nas aldeias este serviço de transporte público é necessário para atenuar o isolamento e a solidão das pessoas que aí vivem e pretendem ocasionalmente vir a Vimioso ou a outra localidade do concelho. Este serviço de transporte público no concelho vai custar cerca de 300 mil euros/ano ao município e é tão prioritário como é a saúde, a educação e a habitação.
T.M.N: No âmbito das aldeias e freguesias do concelho de Vimioso, o que já foi feito neste primeiro ano de trabalho do novo executivo municipal? E o que pretendem realizar a curto prazo?
A.S.: A prioridade deste executivo municipal é dar atenção e escutar as municipes, apoiando-nos na assistência social, nos serviços de saúde, na educação e na habitação. Paralelamente, o município, neste primeiro ano de trabalho, já adjudicou várias obras de arranjos urbanísticos nas freguesias de Angueira, Argozelo, Avelanoso, Avinhó, Caçarelhos, Campo de Víboras, Carção, Uva, Pinelo, Santulhão, São Joanico e Vimioso. Na vila de Argozelo, o município de Vimioso vai concluir a obra de Beneficiação na Estrada Regional 218, com intervenções na rua de Santo Amaro e rua dos Barreiros, cujo valor é de 418.298,21€ + IVA. Ainda em Argozelo, já está preparada um candidatura para a construção do pavilhão multiusos. Em Algoso, vai a concurso a construção do Centro de Dinamização Turística. Na sede de concelho, em Vimioso, já foram adjudicadas as obras de Beneficiação de Arruamentos em Vimioso, mais concretamente para requalificação da Avenida de Alcañices, no valor de 749.500€ + IVA, provenientes do orçamento municipal. Ainda em Vimioso, a construção da primeira fase do Parque Urbano de Vimioso tem um orçamento de 2.377.331,40€+IVA, sendo que 1.631.448,39 são financiados pelo programa Norte 2030 /FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional). Em todo o concelho de Vimioso, a Câmara Municipal lançou um concurso público para a instalação de um Sistema de Medição, Setorização, Monitorização e Controlo da Rede de Água, no valor de 1.138.306,66€ + IVA. Este projeto é financiado a 69%, o equivalente a 967.200, 96€, pelo programa regional Norte 2030.
“A prioridade deste executivo municipal é dar atenção e escutar as munícipes, apoiando-nos na assistência social, nos serviços de saúde, na educação e na habitação.”
T.M.N.: A 24 de julho, receberam a visita do presidente da Aqua, S.A., Macário Correira, a propósito da construção de duas barragens para fins agrícolas, em Santulhão e Angueira. Estes dois projetos podem ser uma realidade?
A.S.: Sim, estou muito otimista de que a barragem da Alamela, em Santulhão, vai ser construída, dado que tem financiamento garantido, ainda que tenha que ser reforçado por causa do aumento do preço das matérias primas. Já a barragem do Ramalhal, em Angueira, também tem grande possibilidade de ser construída, ainda que o projeto esteja mais atrasado, pela necessidade de realizar estudos de impacto ambiental e de garantias de preservação da biodiversidade. Estou esperançado de que a urgência do aproveitamento da água, um bem cada vez mais escasso, será prevalecente na construção das duas barragens, nas freguesias de Santulhão e Angueira.

“Estou esperançado de que a urgência do aproveitamento da água, um bem cada vez mais escasso, será prevalecente na construção das duas barragens, em Santulhão e em Angueira”.
T.M.N.: Na aldeia de Carção, estão em fase final de construção as seis residências de autonomização para pessoas com deficiência e incapacidade. Para quando a inauguração e a entrada em funcionamento desta nova valência social? E que retorno traz para a localidade e o concelho de Vimioso?
A.S.: Em Carção, as seis residências de autonomização para pessoas com deficiência e incapacidade devem estar concluídas no mês de setembro. A entrada em funcionamento deve demorar um pouco mais de tempo.
T.M.N.: Outro projeto em Carção é a instalação do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) na antiga escola primária. Quando se iniciam as obras?
A.S.: A obra de construção do Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) já foi adjudicada, tem um custo de 1 milhão e 300 mil euros e deve iniciar-se no final de mês de setembro ou princípio de outubro. A hasta pública para a venda do imóvel em Vila Real, de modo a financiar este projeto em Carção, ficou deserta, ou seja, não houve propostas de compra. No entanto, a Câmara Municipal de Vila Real tem muito interesse no imóvel e o município de Vimioso pretende alienar para investir no próprio concelho.
“Em Carção, as seis residências de autonomização para pessoas com deficiência e incapacidade devem estar concluídas no mês de setembro.”

T.M.N.: No âmbito comercial, entrou um funcionamento a Associação Empresarial e de Serviços de Vimioso (AESV). Que trabalho conjunto está a realizar o município com a AESV?
A.S.: Ao assumir a presidência da Câmara Municipal de Vimioso inteirei-me da urgência em dinamizar a economia local e a necessidade em trabalhar de perto com a associação comercial. Felizmente, foi criada uma nova associação, a Associação Empresarial e de Serviços de Vimioso (AESV) que está muito emprenhada em dinamizar os vários setores de atividade, como são o comércio, a restauração, a hotelaria e os serviços. Ao município compete apoiar todas a iniciativas que propiciem o desenvolvimento empresarial e económico do concelho, como foi recentemente a organização conjunta com a AESV, do Festival Gastronómico Voraz.
“Ao município compete apoiar todas a iniciativas que propiciem o desenvolvimento empresarial e económico do concelho, como foi recentemente a organização conjunta com a AESV, do Festival Gastronómico Voraz.”
T.M.N.: António Santos João Vaz nasceu a 6 de março de 1956 e tem por isso 70 anos. Pretende cumprir o mandato que lhe foi confiado pela população do concelho de Vimioso até 2029?
A.S.: Pretendo trabalhar como presidente da Câmara Municipal de Vimioso, até 2033. Ou seja, vou cumprir este mandato, vou recandidatar-me em 2029 e espero que a população do concelho me conceda novamente a confiança para trabalhar até 2033.
“Pretendo trabalhar como presidente da Câmara Municipal de Vimioso, até 2033.”
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