Economia: “Líderes políticos e empresariais portugueses estão a perder qualidade” – estudo

Segundo o estudo, no Índice de Qualidade das Elites, Portugal situa-se na 14ª posição entre os 25 países avaliados da UE, abaixo da média da União Europeia.

A Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) e a Universidade de Saint Gallen (Suíça), em colaboração com uma rede internacional de parceiros e instituições académicas, acabam de lançar o Índice de Qualidade das Elites (EQx) 2021, um ranking internacional de economia política que fornece uma visão dos sistemas de elites nacionais e da criação de valor esperada num mundo pós-COVID.

O índice baseia-se em 107 indicadores e em quatro áreas conceptuais – poder económico, valor económico, poder político e valor político – categorizando as elites em “muito alta qualidade” (posição de 1 a 10), “elites de alta qualidade” (posição de 11 a 25), “elites de qualidade” (posição de 26 a 75), “elites de qualidade média” (posição de 76 a 124) e “elites atrasadas” (posição superior a 125).

A classificação obtida por Portugal de “elite de qualidade” revela disparidades significativas ao nível dos quatro sub-índices, sendo o desempenho melhor ao nível do poder económico (8ª posição) e pior ao nível do valor económico (54ª posição). Com posições intermédias apresenta-se o poder político (19ª posição) e o respetivo valor (30ª posição).

“No âmbito político, em Portugal, existe a presidência da República, o governo central, os municípios, as comissões de coordenação de desenvolvimento regional (CCDR’s) e as regiões autónomas. Assim, até podemos considerar que o poder político está repartido. Mas depois, na prática, o que os dados indicam é que a elite política não cria valor; ou seja, a elite política é extrativa no sentido em que cria menos riqueza que devia face ao seu posicionamento em termos de poder. O ideal era, naturalmente, que a elite política fosse inclusiva.”- Óscar Afonso.

Segundo o estudo, Portugal apresenta melhor posicionamento que outros países do sul e do ex-bloco de leste, mas já é ultrapassado pelos países mais dinâmicos deste bloco, como são a Estónia, República Checa, Lituânia e Eslovénia.

Para estes resultados contribuem “a fraca competitividade externa, o elevado nível de endividamento, a estrutura de especialização em atividades vocacionadas para mercado interno e a péssima qualidade institucional”, destacam os professores da Faculdade de Economia do Porto (FEP) e investigadores do CEF.UP, Cláudia Ribeiro e Óscar Afonso, responsáveis pelo estudo a nível nacional.

Estes resultados estão em linha com o esperado por se tratar de uma pequena economia aberta ao exterior e sujeita à observação de algum investimento direto estrangeiro. O número de grandes empresas é, contudo, diminuto, contribuindo para que o poder económico não esteja muito concentrado. Há ainda a salientar o enorme peso da dívida pública no PIB, que representa uma forte extração de valor das gerações futuras de contribuintes”, destacam os professores da FEP.

Em termos políticos enfatizam-se as significativas disparidades regionais, nomeadamente a “baixa qualidade dos serviços públicos, o fraco acesso à internet, a fraca promoção da equidade em geral e o grau de fatalidade associado à Covid”.

“Portugal revela uma trajetória de perda, sobretudo no quadro da UE, sendo preocupante a posição manifestada em certos indicadores – em particular desigualdade territorial, peso da dívida pública, baixa produtividade e desemprego jovem – que, em conjunto, revelam um quadro de instituições que carece de melhorias significativas”, destacam Cláudia Ribeiro e Óscar Afonso.

Singapura ocupa o primeiro lugar no ranking geral, afirmando-se como a cidade-estado cujas elites empresariais mais valor criam para o planeta, seguindo-se a Suíça (2º) e o Reino Unido (3º). Por sua vez os EUA mantêm a sua posição (5º) e a Alemanha cai do 3º lugar em 2020 para o 15º em 2021. Já Israel obteve os maiores ganhos no EQx2021, subindo a classificação global para 7º lugar.

“Uma dimensão fundamental na atualidade é o desempenho das elites em relação à gestão da pandemia da COVID-19. No EQx2021 constata-se que elites de maior qualidade como Singapura (1º), Suíça (2º), Israel (7º), Noruega (8º) ou Nova Zelândia (13º) têm sido mais capazes de proteger o seu país dos impactos sanitários e económicos da COVID-19”, destacam os Professores da FEP.

A China (26º) destaca-se com uma pontuação EQx tão elevada como a das nações avançadas, acompanhada por uma riqueza per capita três vezes superior.

“No período pós-COVID, a criação de valor das elites irá impulsionar o crescimento da China e do mundo, durante pelo menos uma década, se não mais”, concluem os Professores da FEP.

As pontuações comparativas dos países e as classificações globais proporcionam uma visão do futuro das sociedades, sendo o EQx concebido para funcionar como um recurso para os líderes empresariais e políticos compreenderem como as suas ações afetam a sociedade em geral.

O Índice está disponível em www.elitequality.org e pode ser seguido no Facebook, LinkedIn e Twitter.

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