DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR

É por ti.

Is 50, 4-7 / Slm 21 (22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 / Filip 2, 6-11 / Mc 14, 1 – 15, 47; ou 15, 1-39

No Domingo de Ramos, celebramos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Unamo-nos ao coro dos que o aclamam: «Bendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no Céu e glória nas alturas!».

O profeta Isaías apresenta-nos o «Servo do Senhor», não num contexto de triunfo e glória, mas com o quadro de quem assume corajosamente o sofrimento humano, pois experimenta a força de Deus na sua extrema fraqueza: «O Senhor Deus veio em meu auxílio… e sei que não ficarei desiludido». Para além de admirarmos o contraste entre o terrível sofrimento e a sua aceitação resignada e esperançosa, importa passarmos à imitação de tão magnífico exemplo. Como imito Jesus, com palavras e obras, na sua experiência de cruz?

São Paulo recorda-nos a infinita coragem de Jesus que, para salvar a humanidade, se despojou da sua grandeza e glória divinas. «Cristo Jesus, que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-se semelhante ao homem». Estamos tão habituados a referir-nos à encarnação de Deus e à dádiva da sua vida na cruz, que nos parece algo normal. Mas imaginemos que nós éramos Deus e consideremos a generosidade colossal para nos desprendermos da suma felicidade divina e assumirmos a dureza da vida de um homem comum… Vivamos em permanente ação de graças pelo desmedido amor que Deus nos tem.

A paixão e morte de Jesus tem em todos os Evangelhos um lugar de destaque. Sendo todos convergentes, Marcos tem o seu modo próprio de apresentar o máximo testemunho de amor que é dar a vida pelos seus amigos, que somos todos nós.

O silêncio de Jesus é sublinhado algumas vezes pelo segundo evangelista. Por vezes, só o silêncio pode exprimir o que desejamos. O quadro da realidade é tão rico que sobra a legenda das palavras. Marcos põe em especial evidência a solidão de Jesus: não aparece ninguém a defendê-lo ou a acompanhá-lo. Só depois de morrer, é posta a seguinte nota: «Estavam também ali umas mulheres a observar de longe».

Em toda a narração da paixão e morte de Jesus não podemos ficar de fora, como espectadores, a ver como que cenas de um filme que não faz parte da nossa vida. Tudo o que Jesus vive e sofre tem uma dedicatória de salvação que me diz respeito: É por teu amor, caríssimo irmão ou irmã do século XXI, que estou a ser traído por Judas, a ser julgado injustamente, a ser flagelado e coroado de espinhos, a levar a cruz até ao Calvário e aí a ser crucificado e a dar a vida. Por ti.

Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração:

https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1260

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