Cultura: Miranda do Douro vai colocar 1415 placas toponímicas em mirandês e português

O município de Miranda do Douro vai colocar 1415 placas toponímicas bilíngues, em mirandês e português, em 33 localidades deste concelho, que resultam de um trabalho de investigação dos topónimos originais.

O município de Miranda do Douro investiu cerca de 60 mil euros neste projeto que decorre há quatro anos.

“Há localidades como Picote, Sendim ou o centro histórico de Miranda do Douro onde no passado já haviam sido colocadas as placas toponímicas, porque este trabalho já foi feito há vários anos”, informou o autarca de Miranda do Douro.

Na realização deste trabalho, Domingos Raposo, investigador e professor de língua mirandesa, garantiu que há consenso dentro da Comissão Municipal de Toponímia (CMT), da qual fez parte.

“Se temos uma língua própria que foi falada durante muitos anos, praticamente como primeiro idioma deste território, é através da toponímia que ela se fixa. Podemos verificar de forma mais vernácula que há vocábulos muito próprios que só encaixam na língua mirandesa e nas suas comunidades. É na toponímia que se mantêm mais fidedignos”, explicou o investigador.

Na opinião de Domingos Raposo, a toponímia de cada lugar não foi alterada e os nomes originais mantêm-se.

“Os topónimos foram passando de geração em geração e muitos ficaram registados nas repartições de Finanças e em outros locais”, informou.

O investigador disse ainda que a CMT regeu-se pela Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa (COLM), diploma que foi elaborado por um grupo de linguistas, professores de mirandês, investigadores e falantes em 1999.

“A COLM respeita a identidade da língua mirandesa e todos os seus subdialetos”, enfatizou Domingos Raposo, que deu como exemplo a palavra “rua”.

“Esta palavra pode-se escrever de duas formas: ‘rue’ ou ‘ruga’. No norte do concelho de Miranda do Douro escreve-se ‘ruga’, já mais a sul escreve-se ‘rue’. Então, deixamos o topónimo como tal se utiliza nos locais onde são pronunciados. Assim, por unanimidade mantemos os vocábulos originais “, explicou.

Apesar do reconhecimento oficial, feito com a publicação em Diário da República da chamada “Lei do Mirandês” em 29 de janeiro de 1999, “a segunda língua oficial em Portugal continua a não ter um enquadramento institucional adequado”, apontam os linguistas que se dedicam ao seu estudo.

Lusa | HA

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