Ambiente: Observatório Ecológico do Douro
O território transfronteiriço do Norte de Portugal e a comunidade autónoma de Castela e Leão (Espanha), dispõem do primeiro Observatório Ecológico do Duero-Douro (OET), uma ferramenta considerada essencial para o restauro da natureza e ecossistemas.

O secretário executivo da Comunidade Intermunicipal (CIM) das Terras de Trás-os-Montes, Rui Caseiro, disse que o OET é o primeiro na região transfronteiriça e que vai o que vai reforçar estes territórios raianos, como uma ferramenta essencial para restaurar a natureza, melhorar a ligação entre Portugal e Espanha e valorizar a paisagem nesta área raiana.
Este projeto ibérico que foi anunciado em Mogadouro, faz parte do novo programa transfronteiriço OETERRA que teve início em março, e que tem como linha de seguimento o anterior projeto OET Durios, que agora terminou. Este projeto tem uma dotação total de mais de um 1.954 mil euros, sendo o valor aprovado através do INTERREG de mais um 1.465 mil euros. Já a CIM Terras de Trás-os-Montes tem um orçamento para a iniciativa raiana que ronda os 173 mil euros.
O OET que agora arrancou vai vigorar nos próximos três anos (2026-2029).
“O novo projeto usa governança participativa, soluções na natureza e tecnologicamente inovadoras para responder aos desafios ambientais e socioeconómicos da zona transfronteiriça, alinhando-se também com as estratégias europeias de adaptação às alterações climáticas e proteção da biodiversidade”, vincou o responsável.
Este OET vai ficar centrado na Universidade de Salamanca, em Espanha, e conta como parceiros a CIM Terras de Trás-os-Montes, a Associação Palombar, o Agrupamento de Europeu de Cooperação Territorial ZASNET, do lado Português. Já do lado espanhol, está a Fundação Santa Maria La Real (chefe de fila) Ayuntamiento de Zamora Federação de Las Federación de las Associaones Florestales de Castilha e Leon.
“Esta estratégia garante ainda a restauração de habitats-chave, ao mesmo tempo que reforça a conectividade ecológica através da recuperação de e da renaturalização de várzeas fluviais”, frisou.
O ORT vai centrar-se em zonas da Rede Natura 2000 e em áreas protegidas como Parque Natural do Douro Internacional, nos concelhos de Mogadouro e Miranda do Douro, assegurando que a restauração ecológica e digitalização ambiental incidam sobre corredores ecológicos prioritários e ecossistemas estratégicos, neste território de fronteira do Duero-Douro.
Este novo projeto tem já desafios definidos tais como a fragmentação do território devido às infraestruturas rodoviárias e as mudanças no uso do solo, a que se junta a erosão e desertificação agravada pelas alterações climáticas e pelo abandono das áreas agrícolas, entre outros.
Todos os resultados deste ORT serão disponibilizados em plataformas abertas, permitindo que este modelo seja replicado em outros territórios transfronteiriços.
Fonte: Lusa | Imagens: Flickr
