XII Domingo do Tempo Comum

Abraçar a Cruz

Zac 12, 10-11; 13, 1 / Slm 62 (63), 2-6.8-9 / Gal 3, 26-29 / Lc 9, 18-24

«Ao olhar para mim, a quem trespassaram». A premonição inscrita nestas palavras que escutamos na Primeira Leitura deve fazer-nos tremer. Como pode Zacarias, que as escreve no século VI a.C., pressagiar a vinda de um Messias que não seja em glória, vitorioso líder dos exércitos de Israel e destruidor dos seus inimigos?

Desde Pedro e demais discípulos até nós, toda a Igreja, ao longo da sua história, resiste em acreditar num Deus que é torturado e morto. Professa esta crença todos os domingos, mas crê de forma tímida. Só mesmo o Espírito de Deus poderá ter inspirado o profeta Zacarias, ele que prevê que trespassarão o «filho único» e que antevê uma fonte de água para lavar o pecado e a impureza, a fonte que João identifica no seu Evangelho com a chaga no peito de Cristo.

No Evangelho que hoje escutamos, Pedro é capaz de identificar Jesus como Messias. Mas é um outro messias o que ele então imagina: é um messias da glória sem cruz. E por isso Jesus o proíbe de anunciar aos outros a sua identidade. Ao invés disso, aproveita para falar aos discípulos sobre o seu caminho, um caminho a ser calcorreado pelos seus seguidores, um caminho de renúncia de si mesmo e de afetuoso abraço da cruz. Um caminho que é escândalo e loucura.

No Evangelho que hoje escutamos, Pedro é capaz de identificar Jesus como Messias. Mas é um outro messias o que ele então imagina: é um messias da glória sem cruz.

Este assumir da cruz e renúncia de si mesmo não é um ato de voluntarismo. É algo que se torna possível, como nos diz Paulo na Segunda Leitura, por tomar parte no batismo de Jesus, onde somos revestidos de Cristo. Este «vestir as mesmas vestes do Senhor» é um viver como Jesus, é um crescer na liberdade interior de fazer o bem sem olhar às consequências. É um ato de entrega sem reticências, possível somente na graça e em esperança. Um ato que é a verdadeira marca do discípulo.

Este «vestir as mesmas vestes do Senhor» é um viver como Jesus, é um crescer na liberdade interior de fazer o bem sem olhar às consequências.

E este discípulo não se pode deixar deter, como nos avisa Paulo, nas aparentes diferenças que nos distinguem, seja de género, seja de nacionalidade, seja de estatuto social. Nada disto é relevante. Há uma igualdade original que faz de todos nós irmãos, e que é a base da dignidade humana: temos o mesmo Deus como Pai.

Somos filhos do mesmo Deus. A identidade de irmãos é a única que interessa. Todos pertencemos a Cristo e, desta forma, todos somos herdeiros da promessa que Deus fez a Abraão: entrar na Terra Prometida. Para que tal aconteça, devemos assumir as vestes de Cristo, recebidas como graça no nosso batismo, e ousar viver ao seu estilo: renunciando a si mesmo e abraçando a cruz.

O caminho proposto é assumir as vestes de Cristo, recebidas como graça no nosso batismo, e ousar viver ao seu estilo: renunciando a nós mesmos (ao nosso egoísmo e interesses) e abraçando a cruz.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1735

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