I DOMINGO DO ADVENTO

Ser luz!

Is 2, 1-5 / Slm 121 (122), 1-2.4-9 / Rom 13, 11-14a / Mt 24, 37-44

Este primeiro domingo do Advento chega como um grito de alerta. São Paulo diz-nos, na II Leitura: «Chegou a hora de nos levantarmos do sono». Ele fala-nos de uma noite que já vai longa. E se esta vai longa, o que estará para breve? A aurora, inevitavelmente, um nascer do sol que a todos iluminará. Queremos continuar a dormir quando o novo dia chegar?

Este novo dia foi preparado desde o início dos tempos. E já aconteceu, no dia de Natal, há dois milénios. E continua a acontecer. E nós somos privilegiados por vivermos este momento, em que a luz já nos foi dada e continua a ser-nos oferecida a cada dia.

Há, contudo, que estar vigilantes para nos deixarmos iluminar, pois tal luz só brilhará se nós deixarmos que cumpra o seu papel. É tão fácil cair na rotina do quotidiano, no suave e anódino desfilar dos dias.

Esperar o Senhor que chega não é semelhante a uma deslocação à Loja do Cidadão ou a um consultório médico, em que se deve aguardar pacientemente a vez. Há que partir «com alegria para a casa do Senhor», como nos insta o Salmo. Há que subir «ao monte do Senhor», como nos diz Isaías na I Leitura. Há que não cair no erro dos contemporâneos de Noé, como hoje nos alerta Jesus, pois arriscamo-nos a perecer quando o dilúvio galgar as fronteiras estabelecidas entre mar e terra, quando o mal lançar as suas garras sobre nós.

Há que estar vigilantes e disponíveis. Há que abandonar «as armas das trevas» e revestirmo-nos «das armas da luz», como nos aconselha São Paulo. Há que deixar para trás, resolutamente, os egoísmos e invejas, as maledicências e arrivismos, tudo o que em nós for sombra, e lançarmo-nos no caminho da prudência, da justiça, da temperança e da perseverança, e assim dar lugar à luz. E assim ser luz.

Para que haja Natal, para que o Senhor venha e nasça em nós, no humilde presépio que cada um de nós pode ser, há que preparar a casa. Não o queiramos deslumbrar com palácios e lençóis de linho. Esforcemo-nos, simplesmente, em não ser surdos ao seu chamamento, mas prontos e disponíveis para a santidade que vem e deseja fazer em nós a sua casa.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1897

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