Palaçoulo: Monjas trapistas foram presenteadas com o teatro “Coros de A Rocha”

No dia 31 de outubro, a hospedaria do Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, foi o palco da peça de teatro “Coros de A Rocha”, de T.S. Elliot e interpretado por um grupo de amigos da Associação Para a Educação Cultura e Formação (APECEF).

O arquiteto do mosteiro, Pedro Salinas, contou que a ideia de representar a peça “Coros de A Rocha”, do poeta e dramaturgo T. S. Eliot (1888-1965), surgiu da vontade de um grupo de amigos, professores e alunos da APECEF, que quiseram assim homenagear a comunidade das monjas trapistas, que estão a fundar um mosteiro em Palaçoulo.

“Tivemos a ideia de representar ‘Coros de A Rocha’, aqui no mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, porque esta peça de teatro fala precisamente da construção de uma catedral. Foi um presente que quisemos dar às irmãs trapistas”, explicou.

O arquiteto do mosteiro de Palaçoulo informou que trabalha para a comunidade das monjas trapistas desde 2017 e sublinhou que esta obra é muito importante para a Igreja, em Portugal.

Sobre a localização escolhida para a construção do mosteiro, em pleno planalto mirandês, Pedro Salinas, disse que se apaixonou pela beleza da região, das gentes, da cultura e das tradições.

Por sua vez, a encenadora da peça “Coros de A Rocha”, a professora Isabel Araújo, acrescentou que a representação artística teve como objetivo dar a conhecer esta obra de excecional qualidade.

“O nosso objetivo foi trazer a preciosidade desta obra teatral a Palaçoulo. No teatro, como a vida, temos que propor às pessoas obras de qualidade que nos façam crescer e que sejam construtivas. Esse é o verdadeiro desafio da arte contemporânea. Temos de gritar o que é bom!!! Não nos podemos calar perante a mediocridade, a desordem e o caos. É nosso dever dar a conhecer o que é bom, de uma maneira bela e profissional!”, disse.

O trabalho de adaptação do texto “Coros de A Rocha” foi realizado pelo também professor Pedro Picoito. O docente afirmou que fez muito sentido representar esta obra em Palaçoulo, junto à construção do Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja.

“Também faz sentido construir o Mosteiro Trapista, aqui no planalto mirandês, pois esta região também tem direito a ter estruturas que ajudem à vida em comunidade”, justificou.

Recorde-se que a origem da construção do mosteiro trapista em Palaçoulo, surgiu do pedido do então bispo da diocese de Bragança-Miranda, Dom José Cordeiro, de criar um mosteiro feminino na diocese transmontana.

Sobre o contéudo da peça de teatro “Coros de A Rocha”, Pedro Picoito, sublinhou que nos séculos XIX e XX, na chamada modernidade, a sociedade e a igreja voltaram costas uma à outra.

“Neste período, a sociedade ignorou a Deus. As pessoas viviam como se Deus não existisse. Pode por isso dizer-se que a humanidade abandonou a Deus. Mas Elliot, nesta obra também diz que a Igreja abandonou a humanidade, quando deixou de anunciar a Cristo. Por isso, ontem como hoje, não basta ser uma igreja assistencialista, há que dar a conhecer Cristo aos homens”, explicou.

No decorrer da sua representação na peça “Coros de A Rocha”, a personagem de Pedro Picoito, concluiu: “O homem sem Deus é uma mera semente atirada ao vento que nunca encontra morada ou campo”.

HA

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