Miranda do Douro: Baixas médicas perturbam arranque do ano letivo

O novo ano letivo no agrupamento de escolas de Miranda do Douro (AEMD) iniciou com 100% na colocação de professores, mas o surgimento de três baixas médicas de docentes está a dificultar o normal funcionamento das escolas.

De acordo com o diretor do AEMD, o professor António Santos, as três baixas médicas obrigaram a procurar professores substitutos, para colmatar a ausência.

“Neste momento, no agrupamento de escolas de Miranda do Douro há três situações de falta de professores, devido a situações de doença, para os quais estamos a ter dificuldade em encontrar professores substitutos”, indicou.

Segundo o diretor do AEMD, esta dificuldade em substituir os professores deve-se à atual falta de professores em todo o país, um problema que é agravado pela interioridade da região de Trás-os-Montes.

“Há muitos professores que não aceitam vir trabalhar para a nossa região, dada a distância geográfica, o ter que alugar casa e o afastamento das suas famílias”, justificou.

Para colmatar a falta de docentes nas escolas, neste novo ano letivo, o ministério da Educação fez uma revisão das habilitações próprias para exercer a docência, abrindo a possibilidade aos cursos pós-bolonha, sem formação para o ensino.

“Com esta lei, o ministério veio legalizar um procedimento que já se fazia anteriormente. E dou um exemplo: para um horário em História, se não surgisse nenhuma candidatura de um professor profissionalizado e se houvesse um licenciado em História, ainda que sem a habilitação para a docência, a escola contratava esse profissional para colmatar a falta de professor”, disse.

Recorde-se que a habilitação própria para a docência é adquirida no decorrer dos estudos universitários, ao enveredar pela via de ensino e que culmina com o estágio profissionalizante numa escola.

“A profissionalização dos professores pode ser feita no decorrer dos estudos superiores ou então no próprio exercício da docência. Nesta segunda opção, os professores contratados que já tenham alguns anos de experiência adquirem a profissionalização através do exercício do ensino e com a realização do ano probatório, que lhes permite depois ingressar na carreira docente”, explicou.

Na perspetiva do diretor do AEMD, o atual problema da falta de professores nas escolas deve-se ao grande desinvestimento das universidades na formação de professores, nos últimos anos.

“Há uns anos atrás havia um excesso de professores, o que levou muitos docentes a emigrar e ao desinvestimento das instituições nos cursos de ensino. E este desinteresse e desatenção prolongado das universidades fez com que não se assegurasse a renovação do corpo docente nas escolas”, explicou.

Segundo o professor António Santos, as universidades já deveriam ter recomeçado há pelo menos seis anos a formar novos professores, para assegurar a substituição dos docentes que estão a aposentar-se e daqueles que vivem situações de doença.

“Felizmente, desde há dois anos que as instituições do ensino superior já recomeçaram a oferecer cursos de ensino e os alunos também estão mais recetivos à carreira de professor”, informou.

HA

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