XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM / DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

O engano da superioridade

Sir 35, 15b-17.20-22a / Slm 33 (34), 2-3.17-19.23 / 2 Tim 4, 6-8.16-18 / Lc 18, 9-14

Ao rezar, muitas vezes buscamos um novo olhar, mais profundo, que nos leve a uma reforma de vida. Contudo, por vezes, o nosso olhar interior desvia-se dos pecados próprios e centra-se na vida de terceiros. Inclusive ao preparar a confissão.

É uma tentação muito comum, que nos assola desde os tempos de Adão. Adão, escondido por causa da recém-descoberta nudez, não hesita em apresentar a sua versão do que aconteceu: «a mulher que Tu me deste ofereceu-me o fruto». Em suma, feitas bem as contas, a culpa é de Deus, pois foi Deus quem lhe deu a mulher e foi esta quem o levou a provar o fruto.

Adão é o primeiro praticante do jogo do «passa-a-culpa» e inventa mesmo a modalidade «o pecado do outro é maior que o meu». E é sobre este último em particular que Jesus nos quer falar hoje com a parábola do fariseu e do publicano.

No templo, encontram-se dois homens a rezar: o primeiro agradece a Deus por não ser como os outros, em particular aquele outro que está ao seu lado; o segundo pede perdão a Deus, porque é pecador. O primeiro é o fariseu; o segundo é o publicano.

Por que apostamos tantas vezes em nos elevarmos, diante de Deus ou dos amigos, rebaixando os outros? O único juiz e mestre de vida é Cristo. E se podemos – e, por vezes, devemos – arriscar uma palavra sobre a vida do outro, esta palavra deve estar sempre ao serviço da misericórdia.

Um singelo momento de graça é suficiente para a justificação diante de Deus. Um instante de arrependimento pode redimir toda uma vida sem rumo. Por que é que o pecador de ontem não é o santo de hoje? Por que insistimos em julgar, quando o juízo pertence ao Senhor? Da nossa parte, cabe-nos fazer caminho com os irmãos, não empurrá-los para longe.

São Francisco de Sales, no seu livro «Introdução à Vida Devota», diz-nos: «o dia passado não deve julgar o dia presente, nem o dia presente julgar o que é passado: é apenas o último dia que julga todos».

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1861

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