Miranda do Douro: Ucranianos agradecem o acolhimento dos mirandeses

Desde o início da guerra na Ucrânia, o concelho de Miranda do Douro acolheu a vinda de cinco famílias refugiadas, disponibilizando-lhes apoios na habitação, alimentação, frequência escolar e na procura de trabalho, ajudas que são preciosas para estas famílias ucranianas, que perderam tudo com o deflagrar da guerra.

Para o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, responsável pelo pelouro da ação social, a situação dramática que se vive na Ucrânia levou o executivo a mostrar a sua imediata disponibilidade para acolher e apoiar o povo ucraniano.

“Em parceria com o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), o acolhimento destas famílias do leste da Europa insere-se na política da ação social do município, que visa acolher e integrar as pessoas que vivem situações de maior vulnerabilidade”, justificou.

Recorde-se que a 24 de fevereiro de 2022, a Rússia invadiu militarmente a Ucrânia e a guerra que continua a devastar o país obrigou à fuga de mais de 10 milhões de pessoas.

Entre estes refugiados está Mycola Tsyberko, um cidadão ucraniano, de 31 anos, que se viu obrigado a fugir da guerra para acompanhar a sua família, a mulher e os dois filhos, com idades de 5 e 7 anos.

Micolay é natural da pequena cidade de Velyko Novosilko, na região de Donetsk. Aí tinha uma loja de informática, onde comercializava telemóveis e outros acessórios informáticos.

No passado mês de maio, Micolay e a sua família chegaram a Portugal, tendo sido encaminhados para Miranda do Douro, pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM).

“Em parceria com o ACM, o município de Miranda do Douro disponibiliza às famílias ucranianas, ajudas na alimentação e no arrendamento da habitação”, informou Luísa Dias, técnica superiora de serviço social, do município de Miranda do Douro.

Segundo a assistente social, em todo o concelho foram disponibilizadas 10 habitações para acolher famílias refugiadas.

“Atualmente, vivem no concelho cinco famílias: quatro residem na cidade de Miranda do Douro e uma família vive em Sendim”, indicou.

Relativamente à adaptação e integração destas famílias, Luísa Dias, informou que a comunicação tem sido a maior dificuldade.

“O desconhecimento mútuo das línguas ucraniana e portuguesa tem sido o maior obstáculo entre nós. Para superar este problema da comunicação, falamos em inglês e utilizamos os tradutores do whatsapp e do google”, informou.

No âmbito da integração das crianças ucranianas nas escolas do concelho, Margarida Preto, psicóloga do município, informou que em parceria com o Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro (AEMD) estão a assegurar as matrículas, a alimentação e todos apoios sociais às crianças ucranianas.

“Para melhor integrar estas crianças nas escolas foi realizada uma campanha de sensibilização dirigida a toda a comunidade escolar. Pedimos, por exemplo, aos mais jovens que não menosprezassem estas crianças ucranianas”, informou.




De acordo com o vice-presidente do município de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, “as crianças ucranianas estão a adaptar-se bem às escolas e algumas já falam muito bem o português”.

Sobre o futuro destas famílias, a assistente social, Luísa Dias revelou que a maioria destas pessoas gostariam de regressar à Ucrânia. No entanto, o prolongar do conflito e a crescente destruição do país estão a ensombrar essa esperança e levam a que as famílias ucranianas ponderem refazer a vida em Portugal.

Micolay, por exemplo, também gostaria de regressar à Ucrânia, mas diz que mesmo que a guerra termine, teme que a Rússia volte a reacender o conflito mais cedo ou mais tarde.

“Eu sou pai de duas crianças, uma das quais tem problemas de saúde e não quero que a minha família viva nessa incerteza e perigo iminente. Quero que a minha família viva e cresça num ambiente de paz”, disse.

De acordo com este jovem ucraniano, a adaptação a Portugal e a Miranda do Douro está a decorrer “bem e rapidamente”. Apesar de ainda falarem pouco o português, algumas pessoas ucranianas já vão realizando alguns trabalhos, como por exemplo, no setor da restauração.

“Estamos muito agradecidos ao município e à população de Miranda do Douro pelo caloroso e generoso acolhimento que recebemos”, agradeceu.

HA

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