XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM

Desconhecido

Ex 32, 7-11.13-14 / Slm 50 (51), 3-4.12-13.17.19 / 1 Tim 1, 12-17 / Lc 15, 1-32

«Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar?»

Bem ponderada, esta pergunta admite uma só resposta: ninguém! Nenhuma pessoa abandona um rebanho no deserto para ir em busca de uma ovelha perdida. Quem cuida de um rebanho depende dele para o seu sustento. Por muito que lhe custe perder uma ovelha – ou até duas ou três – arriscar perder todo o rebanho porque se partiu em busca da ovelha transviada é insensato.

Deus responderia a esta «sensatez» dizendo: «insensato é o mundo quando não vê além da riqueza, do poder e do prazer».

A parábola da ovelha perdida mostra-nos como Deus olha para a Criação: uma ovelha perdida não é um número, não é um custo aceitável, desde que se «salve a maior parte». A ovelha n.º 100 da parábola, a transviada, somos cada um de nós.

Quem se perde pelo caminho é sempre uma das crianças de Deus, tem nome, faz parte da família divina e é amado pelo Pai desde o ventre materno. Como pode alguém deixar que um dos seus pequenos se perca?

A lógica de Deus não é a nossa e é um desafio ao nosso curto entendimento.

Cristo não veio para confirmar na fé uns quantos justos, mas para se encontrar com os que andam mais apartados de Deus. E para chamá-los, pelo nome, à sua Igreja. Isto obriga-nos a, tal como Ele, sair dos trilhos conhecidos e a entrar em rotas ainda por desbravar. Implica arriscar perdermo-nos enquanto saímos à procura dos irmãos sem rumo.

Este risco, em seguimento de Cristo, é graça e caminho de salvação e bem menos arriscado que perdê-lo de vista. Santo Inácio de Loiola rezava frequentemente: «Onde vais, Senhor? Seguindo-Te, não me posso perder». Esta deveria ser a nossa oração de todos os dias.

Nós queremos encontrar uma rotina de seguimento que encaixe bem nas tarefas do nosso dia a dia. Nós desejamos uma santidade «arrumada», que não perturbe os delicados equilíbrios com que conciliamos trabalho, descanso e lazer. Mas o nosso Deus enviou o seu Filho a habitar em terras inóspitas, lugares abandonados e onde o verdadeiro Deus é um desconhecido. Porque teríamos nós um destino diferente daquele do nosso Mestre?

Vivamos com largura de coração, num amor que se expande e nos leva a abandonar o conforto do conhecido, rumo ao lugar onde Ele nos chama, procurando os nossos irmãos. Com sorte, descobriremos que o transviado éramos nós e que o Senhor nos traz aos seus ombros, de volta à companhia dos nossos irmãos, que julgávamos longe quando éramos nós que estávamos perdidos.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1819

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