XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Entrar no coração

Is 66, 18-21 / Slm 116 (117), 1.2 / Hebr 12, 5-7.11-13 / Lc 13, 22-30

No Evangelho deste domingo ouvimos Jesus dizer-nos que escutar as suas palavras e sentar-se à sua mesa não basta para ser salvo. A salvação que Deus nos oferece, a vida autêntica e livre, em que nem as aparências do mundo nem as sombras do coração nos dominam, pede mais do que convívio casual com Cristo. A vida autêntica e livre pede uma oblação completa.

O Espírito Santo abriu muitos caminhos na Igreja para viver esta entrega. Mas entre todos eles é a espiritualidade do Coração de Jesus a via mais segura e completa para entrar no Reino. Tendo muitas manifestações «exteriores» – o oferecimento do dia, a Eucaristia, a primeira sexta-feira – aquela assume cabalmente que o mais importante é a configuração com Cristo que ocorre no coração de cada um.

Ganhar trejeitos de Jesus ou memorizar os seus discursos de nada vale sem a conversão do coração. Conhecer verdadeiramente Jesus é viver tudo a partir d’Ele, partilhando alegrias e tristezas, assumindo o seu estilo, a sua forma de tocar e sentir, de escutar e falar, numa disponibilidade para cuidar a tempo e a destempo.

No centro de cada cristão, o dom da fé cresce como uma árvore frondosa cujas raízes estão num coração que não lhe pertence. Há uma permuta de corações. Nós oferecemos o nosso coração em busca de cura; Cristo oferece o seu para ser consolado. Cristo oferece o seu coração a todos, ficando vulnerável à rejeição. Quando rejeitamos o seu coração, devemos ser prontos a reconhecer a nossa falta, a arrepender-nos e pedir perdão; quando o acolhemos, devemos ser pródigos na partilha da graça recebida.

É esta a via da porta estreita a que Jesus se refere. A exposição ao amor que, como nos aponta o autor da epístola aos Hebreus, por vezes corrige com palavras duras de bondade, pode trazer uma certa disciplina de vida, mas sempre no sentido de alargar o coração. A marca do discípulo de Cristo está na compaixão pelo mundo e pelo outro, uma compaixão que implica disponibilidade para se deixar cuidar por Deus e docilidade para se deixar guiar por Ele.

A porta aberta pelo Evangelho de Jesus é estreita para que só os corações que morrem ao próprio amor e se expandem no amor ao próximo possam passar. Que tenhamos um coração como o de Jesus e assim cruzemos a porta estreita e possamos atrair muitos irmãos à fé e à salvação de Deus.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1798

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