Cidadania: MCTM lança plano para travar despovoamento do território

O Movimento Cultural Terra de Miranda (MCTM) apresentou um Plano Estratégico que pretende indicar soluções para inverter o despovoamento deste território fronteiriço do planalto Mirandês e fomentar a discussão pública, envolvendo cidadãos e entidades públicas.

“A nossa terra perdeu dois terços da população nos últimos 60 anos, contrariando uma tendência histórica crescente em termos populacionais. É uma perda preocupante e angustiante, porque significa que nós podemos estar a aproximar-nos de um despovoamento que pode ser irreversível. O objetivo do Plano Estratégico é inverter esta tendência”, explicou José Maria Pires, um dos membros fundadores do MCTM. 

O Movimento acrescenta que a Terra de Miranda tem uma língua e uma cultura próprias, que são milenares e estão ameaçadas por este despovoamento. “Sem população não há cultura nem língua, e o despovoamento é uma ameaça real à sua existência”, frisou. 

O MCTM investigou as causas do despovoamento do território do Planalto Mirandês (Miranda do Mogadouro e Vimioso) e concluiu que, além de serem ultrapassáveis, são paradoxais, porque a região tem recursos autóctones mais do que suficientes para o seu desenvolvimento.

O Plano Estratégico da Terra de Miranda Para a Terra de Miranda contempla sete eixos estratégicos, 38 projetos estruturantes e 203 milhões de euros de investimento.

Este Plano Estratégico conta com um contributo da sociedade civil “para um debate sobre o desenvolvimento e as causas que o impedem”.

“É a identificação destas causas e destes constrangimentos e a forma como vamos ultrapassá-los, porque eles são todos ultrapassáveis, que constituem o corpo do Plano Estratégico”, concretizou José Maria Pires, acrescentando que “o despovoamento não é um fenómeno inelutável, nem normal, mas um paradoxo, uma anormalidade que sabemos como ultrapassar”.

O MCTM justifica que o território do Planalto Mirandês tem recursos dos mais produtivos a nível mundial para a produção da energia hidroelétrica, conta com sete raças autóctones e 17 espécies vegetais exclusivas, e depois, acrescenta aquele movimento, a região tem “um história milenar riquíssima” e foi na zona “que se deram os primeiros passos para a formação de Portugal com os tratados de Zamora e Alcanices (Espanha), bem perto da Terra de Miranda”.

“A cultura, a língua mirandesa, recursos hídricos, a fauna e flora autóctones, história e o contexto ambiental são os principais recursos que fazem de qualquer região uma região desenvolvida e próspera. E nós temos esses recursos e assim vamos ser uma região próspera. Contudo, há alguns constrangimentos que impedem esses recursos de produzirem o seu potencial, e o Plano identifica quais são esses constrangimentos”, vincou José Maria Pires.

Desses constrangimentos, o MCTM destaca a falta de atenção que o Estado português tem perante a língua e cultura mirandesas. “O Estado não investe na língua mirandesa, e o mesmo acontece com a cultura mirandesa. A cultura e a língua são ativos do país e da própria União Europeia e não só da Terra de Miranda. E esse património único e riquíssimo, com um elevado potencial económico, tem que ser valorizado”, defendeu.

“Outra das questões passa pela partilha da riqueza produzida pelo Douro Internacional e que não fica neste território. E nós pretendemos partilhar esses recursos”, vincou José Maria Pires.

O Plano Estratégico da Terra de Miranda aponta também para um registo predial rústico “desfasado e leis completamente desadequadas” que regulam a atividade agrícola, o que “coloca esta região no tempo em que se vivia da agricultura de subsistência”.

O documento identifica ainda a necessidade da reabilitação dos sete castelos existentes no Planalto Mirandês, “que estão abandonados e que têm histórias importantes para contar”.

O plano é dirigido a todo o país e chama a atenção “para a falta de inteligência institucional do Estado português e da União Europeia que historicamente têm vindo a impedir que os recursos do território possam trazer prosperidade às populações”.

Este Plano Estratégico entra agora em discussão pública, contando o MCTM com a participação de todos os cidadãos e instituições, “para que este território seja uma Terra de prosperidade”.

Fonte: Lusa

Deixe um comentário