XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dar-se

Ecl 1, 2; 2, 21-23 / Slm 89 (90), 3-6.12-14.17 / Col 3, 1-5.9-11 / Lc 12, 13-21

É comum procurarmos uma vida prazenteira. É até habitual cruzarmo-nos com quem ambicione uma vida guiada pelas palavras do homem rico do Evangelho de hoje: «Descansa, come, bebe, regala-te». Queremos repousar e gozar a vida. E isso faz-nos tão bem… exceto quando nos começa a fazer mal.

O nosso Deus é um Deus provocador, que deseja o melhor para nós. Descansar sobre os frutos do nosso trabalho além da medida justa facilmente nos arrasta até uma insensibilidade aos irmãos ou ao despertar em nós da ilusão da autossuficiência. E isto é autodestrutivo. Daí o flagrante incómodo na pergunta de Deus: «Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?»

Bastantes vezes, o nosso ideal de vida boa não vai além do nosso próprio interesse. Mas a felicidade, a verdadeira alegria está ao alcance dos que vivem em liberdade interior ou, como dizia Santo Inácio de Loiola, despojados do seu próprio amor, querer e interesse.

O seguimento de Jesus não é possível aos acomodados. Só os que se deixam co-mover com Jesus, isto é, os que se movem tendo os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, são verdadeiramente seus discípulos.

Sejamos prudentes na gestão dos nossos bens. Escutemos, e coloquemos em prática, o apelo de Leão XIII, na Encíclica Rerum novarum: «Quem quer que tenha recebido da divina Bondade maior abundância, quer de bens externos e do corpo, quer de bens da alma, recebeu-os com o fim de os fazer servir ao seu próprio aperfeiçoamento e, ao mesmo tempo, como ministro da Providência, ao alívio dos outros» (§12).

O nosso Deus é um Deus de abundância generosa ao serviço dos outros. Não dêmos espaço à ganância nem à inveja nem à acédia. Vivamos livres para enriquecer os nossos irmãos.

Se, como nos recorda Coelet na Leitura I, do Livro do Eclesiastes, «quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito tem de deixar tudo a outro que nada fez», porque nos cansamos com aquilo que não podemos levar connosco?

Partilhemos, na terra, a graça material e espiritual com que o Senhor nos abençoa. E assim acumularemos tesouros no Céu e experimentaremos alegria perene já na Terra.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1777

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