XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Coração centrado

Gen 18, 1-10a / Slm 14 (15), 2-4ab.5 / Col 1, 24-28 / Lc 10, 38-42

A Igreja no mundo inteiro coloca hoje o seu olhar em duas irmãs que acolhem Jesus: Marta e Maria. Neste quadro pintado por Lucas, Maria está sentada aos pés de Jesus, escutando os seus ensinamentos, algo que é próprio do discípulo, enquanto «Marta atarefava-se com muito serviço», como é próprio de uma boa anfitriã.

A riqueza desta passagem do Evangelho está à mostra nas muitas interpretações que conheceu na nossa Tradição: Clemente de Alexandria identificava Marta com a sinagoga e Maria com a Igreja; Orígenes sublinhava o contraste entre a vida ativa (Marta) e a vida contemplativa (Maria); Agostinho apontava o amor de Jesus pelas duas irmãs, dizendo que Maria é ícone da vida no Reino e Marta símbolo da vida presente.

Jesus ama as duas irmãs. E quando diz a Marta «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária», mais do que repreender, Cristo está a desafiá-la a que tenha um coração centrado, pois é a fragmentação do coração que pode levar à dispersão da vida.

Cristo desafia-nos a que ter um coração centrado, pois é a fragmentação do coração que pode levar à dispersão da vida.

Cada um dos batizados é chamado de forma singular e única. O que nos deve ocupar o coração, primeiramente, é a nossa fidelidade ao que Deus nos chama a ser. E se para Marta, naquele momento, eram os deveres de anfitriã aquilo a que Deus a chamava, era aí que deveria estar o seu coração. Não como tarefa pesada que há que cumprir, mas como obra de amor, como lugar ao qual o amor por Deus a chamou.

Muitas vezes tendemos a dividir os crentes entre «Martas» e «Marias». Esta é uma tentação vã. É mais fecundo assumir que estas duas irmãs nos acompanham, que elas nos habitam e que seremos chamados a acudir de forma diferente à presença do Senhor: por vezes, sentando-nos aos seus pés e escutando o que Ele tem para nos dizer; outras vezes, afadigando-nos em trabalhos.

Em tudo, uma só coisa é essencial: viver com coração indiviso, totalmente presentes e disponíveis para cumprir a vontade do Senhor.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1763

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