Miranda do Douro: Inaugurado memorial dedicado aos ex-combatentes

No dia 9 de julho e no âmbito das comemorações do Dia da Cidade, o município de Miranda do Douro prestou homenagem aos ex-combatentes do Ultramar, naturais do concelho, com a celebração da Missa e as inaugurações de um memorial e de uma exposição fotográfica.

A homenagem aos ex-militares que combateram em Angola, Guiné a Moçambique iniciou-se na manhã de sábado, dia 9 de julho, na praça D. João III.

Augusto Fernandes, presidente do Núcleo dos Antigos Combatentes de Miranda do Douro, foi militar em Angola, entre 1965 e 1967 e expressou muita satisfação pela decisão de homenagear os combatentes falecidos na guerra colonial e na guerra mundial de 1914-1918

Por sua vez, Silvestre Igreja, natural de Ifanes, que também prestou serviço militar em Angola, nos anos 1965 a 1967, afirmou que a inauguração deste novo memorial vem dar mais dignidade e reconhecimento aos ex-militares.

Também Abílio Barril, ex-militar e antigo presidente da freguesia de Miranda do Douro, mostrou a sua alegria pela inauguração do monumento dedicado à perpetuar a memória dos militares portugueses que perderam a vida ao serviço do país.

“Demorou muito tempo, mas finalmente o memorial foi feito e colocado num local digno da cidade” – Abílio Barril.

José Mourinho, natural de Sendim, também prestou serviço militar em Moçambique, entre os anos de 1968 e 1970. Sobre esta nova homenagem realizada aos ex-combatentes, o antigo militar disse que é sempre bom recordar.

“Graças a Deus, na minha companhia houve apenas uma pessoa que morreu na guerra. Recordo, que em pleno conflito, rezávamos o terço todos os dias”, recordou.

Na opinião de José Mourinho, natural de Sendim, o serviço militar obrigatório era algo benéfico para os jovens, pois transmitia-lhes disciplina e valores como o rigor, a obediência e o espírito de sacrifício.

A presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, explicou que no passado a autarquia já havia feito uma singela homenagem aos ex-combatentes e inclusive atribuiu-lhes o nome de uma rua na cidade.

“Era um imperativo de justiça dar a devida homenagem a estes homens e àqueles que perderam a vida na guerra. Hoje, não está em causa debater a justiça ou injustiça daquela guerra. Como filha de um ex-combatente no ultramar, acompanhei esta dura realidade, daí que tenha um maior conhecimento e sensibilidade para esta perpetuar esta memória”, explicou.

Na Missa celebrada na concatedral de Miranda do Douro, o padre Manuel Marques, referindo-se aos ex-militares disse que eles são um exemplo de valores.

“Quando abdicamos dos nossos valores cristãos, como a obediência, a transparência, a integridade não temos nada para dar aos outros”, disse.

Após a missa e um almoço convívio, foi inaugurada a exposição “Homenagem aos ex-combatentes de Miranda do Douro, na guerra do ultramar”, que está patente na Casa da Cultura Mirandesa, até ao dia 30 de agosto.

HA

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