Miranda do Douro: Associação de defesa do interior quer a sociedade  civil a “ajudar” a classe política

O presidente da Associação Círculo de Estudos do Centralismo (ACEC) defendeu, em Miranda do Douro, que a sociedade civil precisa de “ajudar” a classe política a determinar políticas públicas para acabar com os problemas do interior do país.

Sebastião Feyo de Azevedo, antigo reitor da Universidade do Porto (UP) e atual presidente da Assembleia Municipal do Porto (AMP), disse à margem da primeira reunião magna da ACEC, que há “problemas graves no interior do país e para os quais é preciso fazer alguma coisa”.

“Pretendemos, acima de tudo, promover estudos sólidos mas, principalmente, cumprir a missão com toda a abertura, sem trincheiras do pensamento, isto é, não ‘partindo de conclusões’, antes e, bem pelo contrário, apelando sempre à reflexão plural na procura de caminhos do futuro para servir Portugal”, vincou o presidente da ACEC.

A ACEC é um grupo composto por mais de 250 cidadãos com ligação a várias áreas sociopolíticas e culturais para fomentar estudos e investigação sobre a organização político-administrativa de Portugal, onde se incluem temas como a descentralização e a regionalização.

Esta nova entidade tem sede na cidade raiana de Miranda do Douro.

“Eu creio que há definitivamente uma necessidade de quem nos governa de pensar que Portugal é um todo, tendo a obrigação de criar políticas para esse todo. Eu dou o exemplo de termos uma boa cobertura das redes e saneamento ou eletricidade ou águas para consumo público. Contudo, não temos uma rede de cobertura de internet em grande parte do país”, explicou Sebastião Feyo de Azevedo.

Na opinião do académico, há outras questões fundamentais “e não é preciso ser centralista ou descentralizador ou regionalista, é preciso colocar empresas produtivas, incluindo agrícolas, no interior do país”, defendeu.

Sebastião Feyo de Azevedo disse, ainda, que é preciso ter “algum cuidado” quando se fala em descentralização ou regionalização, defendo que “a descentralização terá ser uma palavra mais aprofundada”.

“Temos de fazer alguma coisa para acabar com as assimetrias regionais. O modelo que está agora em vigor não conseguiu resolver os problemas dentro de um país da Europa Ocidental que se quer desenvolvida”, vincou.

O objetivo da ACEC é fazer estudos e sugerir caminhos que serão ou não escolhidos e adotados.

“Estamos no início de uma caminhada, que podemos fazer muito próximos da comunidade política para o desenvolvimento do interior”, frisou Feyo de Azevedo.

Outras das observações, deixada durante os trabalhos, “é que há guias internacionais que ainda não estão atualizados, que sugerem que para se chegar a Miranda do Douro o melhor é vir por Espanha, quando hoje em dia há excelentes estradas” em Portugal.

Para a direção da ACEC, nesta primeira reunião que decorreu a 8 de julho, em Miranda do Douro, foram definidos os critérios de admissão dos associados honorários e efetivos e fundadores, que à presente data perfazem cerca de 250 personalidades.

Durante a reunião foi também aprovado o Regulamento do Círculo e o Plano e Orçamento para o segundo semestre de 2022.

Foram ainda admitidos como sócios honorários personalidades de cena cultural e social do país como o arquiteto Siza Vieira, a pintora Graça Morais, o advogado Rui Vilar e o professor Mário Pinto, entre outros.

Outro dos objetivos passará pela criação como parte integrante da ACEC, também em Miranda do Douro, da “Biblioteca do Centralismo e Desenvolvimento”, que se constituirá “como importante instrumento para a prossecução da missão desta nova instituição”.

A ACEC informa que os interessados em inscrever-se na associação, podem fazê-lo enviando um e-mail para: direcao.c.e.centralismo@gmail.com

Fonte: Lusa

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