Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

Ser alimento

Gen 14, 18-20 / Slm 109 (110), 1-4 / 1 Cor 11, 23-26 / Lc 9, 11b-17

O Evangelho que escutamos nesta Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo relata a multiplicação dos pães por Jesus. É imagem do que o nosso Deus quer fazer connosco a cada dia. Ele sabe que passamos necessidades. E Ele sabe que podemos fazer muito mais. E por isso nos pede que olhemos bem para o que levamos nos nossos «sacos» e entreguemos, dando graças. Então Ele partirá o que lhe damos. E com tudo o que lhe dermos, Ele fará alimento que saciará multidões.

Aqui está todo um programa de vida eucarística, no qual podemos entrar através da Segunda Leitura de hoje, em que Paulo oferece as palavras de Jesus na Última Ceia. Estas palavras são a chave da vida de Cristo, e por isso também da nossa: tomar, agradecer, partir e oferecer.

Os verbos da Última Ceia – tomar, agradecer, partir e oferecer – devem moldar a nossa forma de estar na vida, o modo como habitamos o mundo que Deus criou e que nos pede que cuidemos. Estes verbos são amor de Deus em ação e um guia básico para a nossa vivência espiritual.

Devemos «tomar» nas nossas mãos, isto é, assumir, a vida vivida, com as suas alegrias e tristezas, êxitos e fracassos. E, ao tomar em nossas mãos, ser capazes de dar graças a Deus: dar graças pelo bem que já faz e que reconhecemos; ou então pela esperança que temos na ação da graça, que virá, mesmo que ainda não a vejamos.

A vida inteira, aquela que tomamos nas nossas mãos e pela qual damos graças, assumida e agradecida, pode então deixar-se partir para se dar. Quantas vezes queremos ter o monopólio da nossa vida espiritual, seja na graça, seja na desgraça. Queremos controlar e guardar para nós o que nos acontece, quando Jesus parte e partilha o seu corpo.

Nesta Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo recordemos que Deus nos convida ao banquete da Eucaristia, que nos oferece o seu corpo e sangue, onde Ele está presente. Respondamos em Amor a este convite, em cada ocasião em que ele nos é feito.

Acorramos a cada Eucaristia com a nossa vida inteira. Entremos com consciência do que vivemos e dando graças. E estejamos dispostos a partir o que o Senhor nos dá para podermos partilhar, e assim fazermos, de cada graça recebida, alimento.

Assim viveu o Senhor. E assim se entrega o Senhor em cada Eucaristia. Com Ele, aprendamos a entregar a nossa vida, tornando-nos alimento.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1732

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