Tradições: Caramonicos festejaram a Santíssima Trindade

A associação Caramonico promoveu no passado Domingo, dia 12 de junho, o passeio pedestre “Xara em Flor”, uma atividade de lazer que proporcionou aos peregrinos a oportunidade de contemplar a paisagem do planalto mirandês, desde Palaçoulo até ao cabeço da Trindade, em Fonte Aldeia, para aí celebrar a festa em honra da Santíssima Trindade, uma romaria que tradicionalmente reúne as gentes das várias localidades vizinhas.

O passeio pedestre “Xara em Flor” foi um contínuo momento de convívio que culminou na Festa da Santíssima Trindade, em Fonte Aldeia.

Eram 8h00 da manhã de Domingo, quando os primeiros peregrinos começaram a chegar ao local de encontro, o bar da associação Caramonico, em Palaçoulo, para iniciar o passeio pedestre.

Nuno Rodrigues, vice-presidente do município de Miranda do Douro foi um dos participantes na passeio e sublinhou que para além do gosto pela atividade física e pelas tradições, vê nestas iniciativas uma oportunidade de estar mais próximo dos munícipes.

A seu lado caminhava. Aleixo Pêra, habitante de Palaçoulo, que para além dos gosto pelas caminhadas, tem o cuidado de dar o seu contributo às atividades que a associação Caramonico vai realizando em benefício da comunidade local.

“Gosto de participar nas atividades da associação, como é este passeio pedestre até ao cabeço da Trindade. Nesta tradicional caminhada, aprecio particularmente, a proximidade, o convívio e a união que se estabelece entre nós, para celebrarmos juntos a Festa em honra da Santíssima Trindade” – Aleixo Pêra.

Outros dois participantes no passeio, foram José Fernandes e Olímpia Delgado, naturais de Palaçoulo. O casal informou que todos os anos são assíduos participantes nesta caminhada, dado o gosto de ambos pela atividade física e pela participação na romaria da Trindade. Sobre a festa, Olímpia Delgado, recordou que antigamente existia uma grande rivalidade entre as várias localidades, que circunscrevem o santuário da Santíssima Trindade.

“Com o passar dos anos essa rivalidade foi-se convertendo numa sã convivência e competição. Hoje, este salutar convívio expressa-se na bonita tradição das “rondas”, que consiste no desfile das gentes de cada localidade, à volta da capela da Santíssima Trindade” – Olímpia Delgado.

Também Maria dos Ramos Rodrigues, ex-emigrante em França, há muito que participa na romaria da Trindade. Nesta tradição, diz apreciar sobretudo o ambiente que se cria entre todos os participantes e sublinhou que a festa em honra da Santíssima Trindade é uma das primeiras festividades do ano.

“Desde criança que me lembro que a festa da Santíssima Trindade sempre foi muito importante nesta região. Antigamente, havia muito mais gente e nós esperávamos, ansiosamente, por esta esta festa, para ver mais movimento e gente nova. Recordo que antigamente, no último dia da festa, era tradição comer um bocadinho de vitela (o que nesse tempo era um luxo!) e havia também um bolo para assinalar que a festa da Trindade era um dia diferente dos outros!” – Maria Rodrigues.

Enquanto caminhávamos em direção ao cabeço da Trindade, os peregrinos de Palaçoulo iam contemplando a paisagem, conversavam e cantavam, acompanhados pela música dos gaiteiros locais, que caminhavam à nossa frente.

Com o intenso calor da manhã, (o verão está aí à porta!), fizémos várias pausas no decorrer do percurso, para beber água, descansar um pouco e saborear os deliciosos bolos caseiros, que as senhoras de Palaçoulo, prepararam com muito carinho para os caminhantes.

De volta ao caminho e à medida que íamos subindo para o cabeço da Trindade, a vista deslumbrante do horizonte fazia-nos parar, para contemplar a paisagem e identificar ao longe as aldeias de Palaçoulo, Prado Gatão e Fonte Aldeia.

E foi no sopé do cabeço da Trindade, por volta do meio dia, que parámos para almoçar. Aí tínhamos à nossa espera, uma equipa de serviço, que zelosamente preparou um revigorante e delicioso almoço de carne assada na brasa, com pão, acompanhada de uma refrescante salada e no final uma peça de fruta. O piquenique foi também um momento de grande proximidade e reconfortante convívio entre todos os peregrinos “caramonicos”.

Finalizado o piquenique e depois das arrumações, faltava ainda percorrer o derradeiro quilómetro até ao cimo do monte, onde está construída a capela da Santíssima Trindade.

Aí chegados, encontrámos uma pequena capela envolvida por um souto de sobreiros e muitas pessoas vindas de Fonte Aldeia, Sendim, Picote, Prado Gatão e Palaçoulo, para juntos participarmos na Missa, agendada para as 14h30.

Antes de início da Missa realizou-se o encontro das procissões: o andor da Santíssima Trindade saiu da capela, para ir ao encontro do andor de Nossa Senhora, vindo da igreja matriz de Fonte Aldeia.

A Missa em honra da Santíssima Trindade foi uma celebração solene, cantada e tal como é tradição, houve sermão, com o padre pregador a ensinar que a Santíssima Trindade: Deus Pai, Filho e Espirito Santo é uma comunidade de amor, desafiando-nos também a nós a sermos uns para os outros.

No final da celebração religiosa, os andores da Santíssima Trindade e de Nossa Senhora deram uma volta à capela, numa procissão acompanhada pela música da banda filarmónica de Mogadouro.

Finalizada a Missa, as pessoas e sobretudo os jovens das várias localidades, aguardavam, ansiosamente, pelo início das “rondas”.

Nestas rondas ou voltas ao redor capela da Santíssima Trindade, as pessoas elevam ramos de árvores para hastear como se fossem pendões, dando vivas e cantando a canção popular “Siga a Malta, siga a Malta pra diante…”.

Antigamente dizia-se que as rondas eram uma manifestação de força, de afirmação e defesa de cada localidade pelo seu território, sobretudo em relação aos termos vizinhos das outras localidades, situadas à volta do cabeço da Trindade.
A primeira ronda à volta da capela da Santíssima Trindade coube à população da aldeia organizadora da festa: Fonte Aldeia.

Ainda sobre as rondas, diz-se que quando mais gente participar na ronda de cada aldeia, mais forte é a afirmação em relação às outras localidades.

Este ano, a gente de Palaçoulo também cumpriu com coragem, brio e muita alegria as três rondas à volta da capela. Cumprida a tradição, a presidente da associação Caramonico, Jenifer Martins, resumiu assim o dia do passeio pedestre e da festa em honra da Santíssima Trindade:

“Foi um dia cheio de animação e de boa disposição! Caminhamos, cantamos, dançamos, convivemos e celebramos! Como se diz: foi o que se quis!” – Jenifer Martins

Após acompanhar as gentes de Palaçoulo ao longo deste dia, quer no passeio quer na festa, vim a descobrir que a originalidade da romaria da Santíssima Trindade é esta mais-valia de reunir pessoas das várias localidades. Aí, no cabeço da Trindade, todos juntos celebramos a fé, convivemos e festejamos! Afinal, também é isso que a Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – são e fazem: uma comunidade de amor em comunhão.

HA

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