Miranda do Douro: Póvoa vai celebrar a VIII Festa da Gaita de Foles Mirandesa

A aldeia da Póvoa vai realizar nos dias 13, 14 e 15 de maio, a VIII edição da “Fiesta de la Gaita de Fuolhes” (Festa da Gaita de Foles, em mirandês), um evento que vai juntar cerca de 80 gaiteiros do concelho de Miranda do Douro e também da vizinha Espanha.

Considerada a capital da Gaita de Foles Mirandesa, a Póvoa, pretende fazer da “Fiesta” um evento de promoção deste instrumento musical, cuja sonoridade e tradições associadas são muito próprias.

Segundo Amadeu Soares, vice-presidente do Grupo Recreativo e Cultural Renascer das Tradições da Póvoa, a gaita de foles mirandesa distingue-se pelo timbre e pela grande projeção sonora.

“Ao participar na festa do fim de verão da Póvoa eu ficava entusiasmadíssimo ao ouvir a gaita de foles e os pauliteiros a dançar. Movido por este entusismo, aprendi a tocar gaita de foles com o meu pai, que por sua vez aprendeu com o tio Delfim, gaiteiro da Póvoa”, contou.

Na VIII Festa da Gaita de Foles Mirandesa destaca-se a participação espanhola, com a Escola de Músia de Trabazos, o rancho folclórico Manteros e Monteras e o Ron Duero Folk, que se juntam aos grupos locais para presentear o público com a diversidade musical.

Sobre o crescente interesse dos mais novos pela música tradicional mirandesa, Amadeu Soares, que também é professor de música, informou que antes da pandemia havia mais de 80 alunos inscritos na escola de música da associação Lérias, sendo que 60 estavam a aprender a tocar gaita-de-foles, 14 na percussão e 6 na guitarra.

Segundo Amadeu Soares, o crescente interesse pela música tradicional mirandesa também se deve ao trabalho de grupos como os Galandum Galundaina, os Trasga e Las Çarandas.

“Estes grupos de música têm dado vida e modernidade às músicas tradicionais, o que por conseguinte é causa admiração e motivação para os mais novos ”, disse.

Para além da música tradicional, o Grupo Cultural e Recreativo Renascer das Tradições da Póvoa também apoia o grupo de Pauliteiros local e ao longo do ano realiza várias atividades, com destaque para o Entrudo e a tradição dos casamentos.

“A tradição dos casamentos consiste em fazer uma lista das raparigas e dos rapazes solteiros da aldeia e depois esses nomes são sorteados para decidir quem casa com quem. Depois do sorteio, os nomes dos casais são anunciados no monte mais alto da aldeia, com rimas e humor, para que toda a gente ouça. Antigamente, no dia seguinte havia um baile na aldeia e os casais sorteados tinham que dançar juntos”, contou.

HA

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