Miranda do Douro: Festa do Nasico recuperou antiga tradição dos pendões

A festa do Nasico voltou a realizar-se no dia 1 de maio, no Santuário de Nossa Senhora do Naso e este ano contou a novidade da chegada dos pendões, uma antiga tradição, em que se usavam os estandartes identificativos de cada localidades nas procissões religiosas.

De acordo com António José Fernandes Ribeiro, presidente da Freguesia da Póvoa, a Festa do Nasico costuma celebrar-se logo após o Domingo de Páscoa.

“Dado que no fim-de-semana após a Páscoa se celebrou a Festa em Honra de Nossa Senhora da Luz, decidimos adiar a Festa do Nasico uma semana”, justificou.

Este ano a “Festa do Nasico” foi embelezada com os Pendões, uma tradição que já não se realizava no Santuário Mariano do Naso, desde 1912.

“Vieram pendões de todo o concelho de Miranda do Douro e também das localidades espanholas de Fariza e de Alcañices. No decorrer da procissão os pendões vão realizar uma guarda d’honras às imagens de Nossa Senhora. E no final da Missa, os Pendões, como era tradição, vão na dianteira da procissão”, informou.

A propósito desta tradição, Alcides Meirinhos, representante da Associação da Língua e Cultura Mirandesa (ALCM), esta tradição foi recuperada após várias recolhas e pesquisas.

“Atualmente, já não existem tantos pendões como antigamente. Mas ainda existem, uns já foram recuperados e outros estão a sê-lo”, indicou.

Do concelho de Miranda do Douro, vieram até ao Santuário de Nossa Senhora do Naso, os pendões de: Cicouro, Ifanes, Paradela, Genísio, Póvoa, Especiosa, Cércio, Duas Igrejas e Malhadas.

“De Alcañices e de Fariza, em Espanha, vieram dez pendões”, acrescentou.

Sobre a simbologia ou significado dos pendões, o investigador, Alcides Meirinhos, respondeu que estes estandartes remontam ao tempo da reconquista cristã (séculos IX e X) e remetem para a identidade das localidades.

“Quando não havia uniformes, as pessoas ou soldados juntavam-se a um pendão, pois identificavam os exércitos. Atualmente, os pendões identificam e representavam as localidades. Por exemplo, o pendão de Cicouro é diferente do pendão de Malhadas, tanto em tamanho como em cores”, explicou.

Segundo Alcides Meirinhos, tradicionalmente, os pendões iam na dianteira nas procissões.

“Houve vários fatores que deixaram cair em desuso esta tradição, sendo que o maior foi a eletrificação das localidades, o que impede ou dificulta o transporte dos altos pendões nas procissões, dado que os fios elétricos atravessam as ruas. Por outro lado, a guerra colonial e a emigração também deixaram cair em desuso esta tradição dos pendões”, explicou.

Após a chegada dos pendões ao Santuário do Naso, seguiu-se o almoço comunitário. Às 15h00, iniciou-se a Missa com a procissão com das imagens de Nossa Senhora, escoltadas pelos pendões. Finalizada a celebração religiosa, a Festa do Nasico continuou com uma tarde musical.

No decorrer da procissão, os pendões das várias localidades fizeram a guarda d’honras às imagens de Nossa Senhora.

HA

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