V DOMINGO DA QUARESMA

Pecar é usar mal a minha liberdade

Is 43, 16-21 / Slm 125 (126), 1-6 / Filip 3, 8-14 / Jo 8, 1-11

Aproximamo-nos da Páscoa e os Evangelhos mostram-nos como cresce a tensão em torno da figura de Jesus. São muitos aqueles que se juntam para planear as formas de o desmascarar como falso profeta.

No conhecido Evangelho de hoje – o episódio da mulher adúltera – escribas e fariseus tentam tirar proveito da infidelidade conjugal daquela mulher para forçar Jesus a entrar em contradição: ou é coerente com a sua mensagem de misericórdia e desautoriza as Escrituras, que exigem o apedrejamento da mulher adúltera; ou admite que está errado, defende o seu apedrejamento e todos percebem que este suposto profeta não é mais do que um charlatão.

O que me surpreende cada vez que me encontro com este Evangelho é o movimento de Jesus em direção à terra, começando a escrever no pó. O que terá Ele escrito no pó? Nunca o saberemos, mas este movimento de Jesus em direção ao solo, este tocar da terra recorda-nos a humildade original: recorda-nos que somos pó e que voltaremos a ser pó.

Este «escrever na terra» foi como se Jesus colocasse um espelho diante da assembleia e nele todos tivessem reconhecido a sua atual imagem, uma imagem desfigurada pelo pecado próprio. Os Padres da Igreja chegam a afirmar que Jesus escreveu na terra alguns dos pecados daqueles que estavam diante d’Ele.

Os Padres da Igreja chegam a afirmar que Jesus escreveu na terra alguns dos pecados daqueles que estavam diante d’Ele.

Depois deste longo olhar no seu reflexo, manchado pelo pecado, imaginem o que é ouvir a frase «quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra»! A coligação negativa que buscava apedrejar uma mulher e encurralar Jesus dissolve-se diante da Aliança entre Jesus e a mulher, diante deste encontro entre a misericórdia e a fragilidade humana, encontro de onde brota o perdão.

Que esta passagem do Evangelho, ícone da desarmante misericórdia divina e do poder do perdão de Deus, ilumine os nossos passos. Rejeitemos entrar em murmurações e conspirações. Em toda e qualquer situação, tenhamos diante de nós os nossos pecados, vivamos agradecidos pela misericórdia de Deus e sejamos testemunhas do seu perdão. E que as pedras que estão ao nosso alcance, aquelas que somos tentados a usar para apedrejar outros, nunca descolem do chão.

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa:

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1651

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