Miranda do Douro: Capa d´Honras continua a ser uma marca identitária da Terra de Miranda

A cidade de Miranda do Douro voltou a engalanar-se no passado Domingo, dia 27 de março, para assinalar a Exaltação da Capa d’Honras Mirandesa, uma peça de vestuário tradicional, que atraiu a vinda de muitas pessoas de Portugal e também da vizinha Espanha.

Helena Barril homenageou a família de Auleriano Ribeiro pelo seu trabalho na preservação e divulgação da Capa d’Honras Mirandesa.

A solenidade dedicada à Capa d’Honras Mirandesa iniciou-se na sede da junta de Freguesia de Miranda do Douro, com a receção aos convidados portugueses e espanhóis.

Homens e mulheres, devidamente trajados com as tradicionais Capas d’Honra Mirandesas e Alistanas rumaram em desfile até à praça Dom João III, onde atuaram os grupos folclóricos convidados. O Rancho Folclórico e os Pauliteiros de Duas Igrejas, o grupo espanhol “Os Monteos e Monteas de Aliste”, o Grupo Orfeão, da Universidade do Porto e os Gaiteiros da Póvoa.

Depois das atuações, os muitos participantes na Exaltação da Capa d’Honras Mirandesa dirigiram-se para a Concatedral de Miranda do Douro, para participar na Eucaristia Dominical, às 11h00.

No final da Eucaristia, a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, lembrou o papel fundamental de Aureliano Ribeiro na preservação e divulgação da Capa d’Honras Mirandesa e apresentou a pintura de homenagem, da autoria de Balbina Mendes.

“Aureliano Ribeiro, natural de Constantim, era um exímio costureiro de Capas d’Honras e era sabedor da importância cultural desta peça de vestuário”, disse.

A família de Aureliano Ribeiro, na pessoa do filho, Paulo Ribeiro, emocionados e agradecidos recordaram as palavras do pai.

“Levo no coração, as pessoas de Aliste e os Mirandeses”, partilhou.

Desfile das Capas d’Honras.

Sobre a elevada participação dos vizinhos espanhóis na cerimónia, Helena Barril explicou que esta peça de vestuário não é exclusiva de Miranda do Douro.

“Nas localidades espanholas raianas também se usam estas Capas d’honra. Há por exemplo, a famosa Capa d’Honras Alistana. Esta semelhança no vestuário comprova a grande proximidade que existiu e continua a existir entre as populações de Portugal e de Espanha. Há muitos aspetos identitários em comum e que são causa de união entre nós”, explicou.

Segundo Celina Pinto, diretora do Museu da Terra de Miranda, antigamente a Capa de Honras Mirandesa era uma peça de vestuário de uso quotidiano, quer pelos pastores para se pretegerem do frio, quer também para o uso em cerimónias.

“Com o intuito de valorizar esta peça de vestuário deu-se-lhe toda esta solenidade, como o desfile e a reinvenção das capas. A tradição tem que se reinventar. E este evento tem por objetivo valorizar a Capa d’Honras Mirandesa”, disse.

Por sua vez, o investigador, António Rodrigues Mourinho, agradeceu o legado de Aureliano Ribeiro e de todos os artesãos e artesãs da Terra de Miranda.

Sobre a Capa d’Honras Mirandesa, o investigador explicou que esta peça de vestuário terá tido origem nos séculos X e XI, nos mosteiros beneditinos do Reino de Leão, território ao qual pertencia a Terra de Miranda.

António Rodrigues Mourinho recordou ainda o processo moroso e trabalhoso de manufatura de uma Capa d’Honras.

“Uma capa d’honras passava por muitas mãos e ofícios: desde os pastores, cardadores, tecedeiras, ferreiros e alfaiates” – António Rodrigues Mourinho.
Atuação dos grupos folclóricos na praça Dom João III, em Miranda do Douro.

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