VI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Ser livre

Jer 17, 5-8 / Slm 1, 1-4.6 / 1 Cor 15, 12.16-20 / Lc 6, 17.20-26

Com este Sermão da Planície, Lucas coloca-nos diante do drama das nossas escolhas. Cristo abençoa a pobreza, a consciência da necessidade, as lágrimas e a incompreensão. E convida-nos a olhar com suspeição a riqueza, a satisfação, a felicidade fácil, os aplausos. O paradoxo com que nos deparamos pretende evidenciar uma só coisa: somos responsáveis pelas nossas vidas e o drama da escolha é inevitável. E desse drama brotará a bênção ou a maldição, a alegria ou a desolação.

Há uma decisão a tomar. E, para a tomar, Cristo desafia-nos a viver três grandes liberdades: ser livre de possuir; ser livre do mero «apetecer»; ser livre da aprovação de outros. Estas liberdades não são uma rejeição, não são um «não». São o resultado de uma opção radical por fazer o bem. É esta a decisão, uma determinação deliberada que implica que rejeitemos todo o tipo de dependências e enganos.

Cristo desafia-nos a viver três grandes liberdades: ser livre de possuir; ser livre do mero «apetecer»; ser livre da aprovação de outros.

Cristo deseja que assumamos que o que determina o nosso caminho não é o «que» nos acontece, mas sim a forma como caminhamos através das circunstâncias das nossas vidas. E, para isso, não podemos alimentar dependências. Desejar tudo ter, desejar tudo ser é uma dependência, é um engano, e faz-nos mal.

Jesus quer-nos livres e ligeiros para poder abraçar o bem, mesmo que tal nos traga incompreensões, mesmo que tal nos traga prejuízo, mesmo que tal nos traga lágrimas e mesmo até que tal leve ao afastamento dos nossos amigos. Porque viver sem ser capaz de pagar o custo do amor, um amor gratuito e universal como o de Cristo, viver dominado pelos nossos interesses e preferências, é desperdiçar a vida.

Só sendo livres para o bem a nossa vida será bela e fecunda. Não tenhamos medo da cruz da incompreensão, da pobreza, do choro ou de passar por necessidades, materiais ou afetivas. Confiemos no Senhor, que ressuscitou e assim derrotou a morte, e todas as pequenas mortes da nossa vida, como nos recorda Paulo na 2.ª Leitura.

Confiemos no Ressuscitado e juntemo-nos ao coro da Criação, com Jeremias, que canta na 1.ª Leitura que «quem confia e põe a sua esperança no Senhor será como árvore plantada à beira da água, que não se inquieta e que sempre dá fruto».

Fonte: Rede Mundial de Oração do Papa

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1598

Deixe um comentário