Miranda do Douro: VII Jornadas Micológicas continuam a promover os cogumelos silvestres

No próximo sábado, dia 20 de novembro, vai realizar-se a VII edição das Jornadas Micológicas, uma iniciativa promovida pelo município de Miranda do Douro, com o objetivo de promover e valorizar os cogumelos silvestres que frutificam na região.

As jornadas Micológicas resultam de uma colaboração entre a Câmara Municipal de Miranda do Douro, a CoraNE – Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina e a Xixorra – Associação Micológica da Terra Fria.
O programa das jornadas inclui a realização de um passeio micológico, seguido de um almoço convívio. Para a tarde de sábado está programada uma exposição com identificação das espécies recolhidas no decorrer do passeio e um workshop sobre Etnomicologia. E a XII edição das Jornadas Micológicas conclui-se com uma Ceia Micológica, no restaurante Mirandês.

De acordo com Raquel Afonso, responsável pelo Ecocentro Micológico da Terra de Miranda, ao longo dos anos, as jornadas têm evoluído de simples passeios com a identificação das espécies recolhidas e dos almoços-convívio, para eventos com mais atividades que trazem maior valor.

Raquel Afonso recordou, por exemplo, que em 2019, com a inauguração do Ecocentro Micológico da Terra de Miranda, as Jornadas Micológicas, incluíram a realização de um workshop de cozinha com cogumelos silvestres, dirigido, preferencialmente, para os profissionais dos estabelecimentos de turismo rural e da restauração.

“Esta foi uma forma de incentivar estes agentes locais a incluirem os cogumelos silvestres nas suas ementas, para assim valorizar o que existe no território”, justificou.

Desde então, nas jornadas micológicas de Miranda do Douro têm sido realizados vários workshops, com o grande objetivo de informar as pessoas sobre os cogumelos e a importância que tiveram na região ao longo da história, por exemplo, em termos medicinais.

De acordo com Raquel Afonso, na Terra de Miranda estão catalogadas mais de 100 espécies de cogumelos silvestres. Entre estes cogumelos os mais conhecidos sáo o míscaro (que se encontra nos pinhais), os boletos (mais comuns nos castanheiros e nos carvalhais) e a marifusa (Macrolepiota procera).

Relativamente aos cogumelos que frutificam na região e não são consumidos pela população, Raquel Afonso explicou que o receio e a falta de informação inibem o consumo.

“A informação sobre os cogumelos comestíveis ou não estava recluída em duas ou três pessoas das aldeias, que conheciam e consumiam os cogumelos. Mas algumas intoxicações que houve ao longo do tempo, fez com que o receio e a fobia impedissem o seu consumo”, explicou.

As jornadas micológicas deste ano têm como novidades o workshop sobre “Etnomicologia”, que vai explicar a evolução da cultura dos cogumelos ao longo do tempo.

A outra novidade é a ceia micológica, cujo propósito é realçar a importância e o valor dos cogumelos na alimentação e na gastronomia local.

A responsável pelo Ecocentro Micológico da Terra de Miranda, Raquel Afonso reiterou que um dos grandes objetivos do município de Miranda do Douro é continuar a incentivar a produção de cogumelos, dado que há grandes desperdícios no setor da agropecuária que podem ser aproveitados pelos agricultores para produzir cogumelos como uma fonte de rendimento extra.

De acordo com a organização das Jornadas Micológicas, que se vão realizar-se no sábado, dia 20 de novembro, já estão inscritas mais de 80 pessoas, muitas provenientes de outras regiões do país, sobretudo da zona norte.

Para explicar este crescente interesse das pessoas pelos cogumelos silvestres, Raquel Afonso, indicou que a comunicação social tem desempenhado um importante papel na divulgação da micologia e isso conduziu a um aumento, em Portugal, do consumo de cogumelos silvestres e de explorações de produção.

Não obstante a pandemia, a responsável pelo Ecocentro Micológico, disse que atualmente as pessoas preferem as atividades ao ar livre e o contato com a natureza.

“Os passeios micológicos incluem-se neste tipo de atividades de turismo na natureza, o que é uma mais-valia para a nossa região”, disse.

A participação nas Jornadas Micológicas é gratuita, sendo que os custos são assegurados pelo município, com exceção da Ceia Micológica, que segundo a organização tem um custo de 20 euros.

HA

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