XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM | DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO

Nós

Num 11, 25-29 / Slm 18 (19), 8.10.12-14 / Tg 5, 1-6 / Mc 9, 38-43.45.47-48

Tanto no livro dos Números como no Evangelho, aparece a pretensão de alguns quererem que outros não sejam considerados, não tenham qualidades especiais, porque isso os incomoda, fazendo-lhes sombra. Trata-se do ciúme e da inveja, que são vícios que podem corromper o nosso coração. O bem a fazer não tem patrões nem donos. Todos somos chamados a estimar as qualidades e virtudes que existem nos nossos próximos, que nos completam, e assim todos ficamos mais enriquecidos. Cultivo na minha família, comunidade e grupo de trabalho ou convívio, a estima recíproca, a mútua consideração, o apreço pelo que há de bom nas outras pessoas, naquilo que são e no que fazem?

Na carta, de São Tiago, encontramos um veemente apelo aos ricos que, em vez de acumularem histórias de solidariedade e ajuda, multiplicam casos de injustiça e corrupção que bradam aos céus. É uma página de gritante doutrina social, de há vinte séculos, mas cheia de atualidade. São Tiago, evidentemente, não se manifesta contra os ricos, mas sim contra o mau uso das riquezas, de quem explora os trabalhadores e faz da injustiça o meio de se tornar ainda mais rico. Uso aquilo que tenho, que sei e posso, para ajudar e servir aqueles que são os meus próximos?

São Tiago, evidentemente, não se manifesta contra os ricos, mas sim contra o mau uso das riquezas, de quem explora os trabalhadores e faz da injustiça o meio de se tornar ainda mais rico. Uso aquilo que tenho, que sei e posso, para ajudar e servir aqueles que são os meus próximos?

Cristo arrisca fazer esta promessa: «Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa». Dar um copo de água é um gesto muito simples e comum. Mas o Senhor garante que o recompensará. Vai na linha da solene afirmação do juízo final: «o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim o fizestes». Cristo identifica-se connosco. Somos muito mais do que nós mesmos. Somos Cristo em nós.

O Senhor Jesus exorta-nos, com imagens de estrutural radicalidade, a dar bom exemplo e a evitar tudo o que possa ser motivo de escândalo. É que ser ocasião de escândalo é algo tão grave como cortar um pé ou uma mão a alguém. Temos a obrigação de edificar, de sermos positivamente construtivos, renunciando a dar rédea solta ao egoísmo com que usamos o que somos e podemos: a nossa inteligência e vontade, a nossa força física e desejos de domínio. É preciso arrancar dos nossos olhos a soberba e o desprezo. Importa cortar dos nossos pés tudo o que nos leva por maus caminhos e ensinar as nossas mãos a amar e a servir.

O mundo dos migrantes e refugiados é um mundo imenso, que necessita de uma imensa solidariedade. Este é o tema que o Papa Francisco nos propõe para o Dia Mundial deste ano: «Rumo a um “nós” cada vez maior», mais inclusivo, sem fronteiras, ao jeito do Bom Samaritano, que aceita fazer tudo o que pode por quem sofre.

in Meditação diária no site da Rede Mundial do Apostolado da Oração:

https://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1450

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